Para Lula, País perdeu com saída de Palocci

Petista diz confiar na dobradinha Dilma-Gleisi; Sarney defende que presidente faça articulação

Evandro Fadel e Rosa Costa, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2011 | 00h00

Ao participar de encontro com mulheres catadoras de lixo no Paraná, Estado da nova ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o País perdeu com a saída de Antonio Palocci do governo. Um dia antes, ele havia dito que a presidente Dilma Rousseff tomara a decisão de tirá-lo do posto na hora certa.

"Não é todo país que tem um quadro político da competência do Palocci. Eu acho que a presidenta Dilma tomou atitude no momento correto, acho que a Gleisi é uma figura excepcional. Ela era antes, foi durante seus cinco meses de Senado e será com certeza durante todo o governo uma das pessoas mais competentes deste País."

Lula brincou com o avanço das mulheres no poder sob Dilma. "Eu fico até um pouco com medo porque as mulheres estão ocupando um espaço enorme na política. E eu conheço a Dilma e conheço a Gleisi e acho que as duas vão fazer muita coisa por esse país. Só estou torcendo para que as coisas deem certo."

O ex-presidente foi recebido com gritos de "Lula eu te amo" e por três vezes fez referências a Dilma. Como se estivesse em campanha eleitoral, encerrou assim o discurso: "Um abraço e até a vitória, se Deus quiser".

Lula afirmou que, se Dilma não tivesse compromisso ou se tivesse sido convidada com antecedência, "com certeza" estaria ali. Disse que agora está "mais disponível" e que ajudará a defender uma das principais reivindicações das catadoras - a proibição de incineração de material reciclável. Ele reforçou ter deixado a Presidência da República, mas não seus compromissos. "Se antes vocês tinham um presidente da República, agora vocês têm um ex-presidente e uma presidenta com a mesma vontade, com a mesma disposição para fazer", disse. "Podem contar comigo em qualquer circunstância que estarei junto com vocês."

Insubstituível. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), defendeu ontem uma maior participação de Dilma na articulação política do governo. Sarney afirmou não acreditar que a presidente possa abrir mão de coordenar a política, "uma vez que o presidente é insubstituível nessa parte de coordenação". O senador não quis comentar a provável substituição do secretário de Relações Institucionais, Luiz Sérgio, mas lembrou que, com a saída de Palocci, Dilma terá de escolher outro nome para se ocupar da articulação política do governo.

"Se o Palocci coordenava a parte política, ela vai ter que dar uma substituição a essa função", justificou. Sarney participou ontem de uma reunião com o vice-presidente, Michel Temer, e dirigentes peemedebistas.

Sarney negou insatisfação no PMDB por não ter sido informado sobre a saída de Palocci.

"O que tenho ouvido é que nós nos conduzimos muito bem na crise que o governo atravessou, porque todo o partido esteve unido ao lado da presidente da República e aceitando as decisões que ela tomar", destacou.

"Nós devemos considerar que a substituição do ministro Palocci foi feita em um momento de crise, portanto não havia tempo nenhum para articulação, uma vez que o presidente tem no chefe da Casa Civil uma pessoa de sua extrema confiança. De maneira que não vejo nenhum desprestígio ou nenhuma desconsideração ao presidente Temer", acrescentou.

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