Para Meirelles, condições para crescimento estão ´dadas´

Em entrevista exclusiva a Celso Ming, publicada na edição desta quarta-feira do Estado, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "fará de tudo para que o País entre numa rota de crescimento econômico, sem comprometer as conquistas na área da inflação". Para ele, as condições para isso estão "dadas".Segundo Meirelles, não há contradição entre combate à inflação e crescimento. "A melhor maneira de garantir o crescimento é, em primeiro lugar, ter a inflação dentro da meta e, em segundo, a sociedade não ter dúvidas de que a inflação não vai sair da meta. Com isso, o prêmio de risco cai, os juros caem, a produtividade cresce, aumenta a proteção ao consumo e ao investimento e a economia pode avançar". O presidente do BC ressalta que a inflação dentro da meta é apenas condição necessária e "não condição suficiente para crescer". Para crescer, é preciso mais, afirmou Meirelles ao Estado. "A melhora dos fundamentos reduziu a vulnerabilidade do País a crises externas. Há quem pense que, para crescer mais, é preciso admitir mais inflação. Está pensando errado, está matando crescimento futuro. Não há país que esteja crescendo a taxas elevadas que, ao mesmo tempo, não tenha a inflação sob controle".Para ele, a discussão em torno do crescimento é positiva. "Há quatro anos e em outros períodos pós-eleitorais, a discussão era como sair da crise ou como não entrar nela. Agora, discute-se mais crescimento. Estamos progredindo, é um ganho de qualidade nos debates", disse ao Estado. Meirelles também credita boa parte dos resultados eleitorais do presidente Lula à derrubada da inflação, "que possibilitou melhora do padrão de vida da população". Ele também afirmou que a queda do juros por si só não garante o crescimento. "A queda dos juros ajudou a aumentar o consumo. No momento, o consumo está crescendo mais do que a produção. Uma parte da demanda está sendo coberta com mais importações, que estão dando um tempo para que o País se equipe e invista para responder a esse aumento do consumo".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.