Para minar elos do PR no Ministério dos Transportes, governo demite mais sete

A prometida "faxina" no Ministério dos Transportes atingiu mais sete integrantes do governo. Foram demitidos ontem quatro funcionários do ministério e dois do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Na noite de ontem, o ministério confirmou ao Estado a demissão de mais um assessor da pasta, Eduardo Lopes. A maioria dos afastados é ligada ao núcleo que comanda o PR, que integra a coalizão da presidente Dilma Rousseff e que dirige a pasta. As demissões foram acertadas na segunda-feira pelo ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, com a presidente Dilma Rousseff diante da onda de denúncias de corrupção.

Leandro Colon e Vera Rosa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

20 Julho 2011 | 00h00

Oficialmente foram afastadas 13 pessoas dos cargos desde o início da crise no setor. O número sobe para 14 com a demissão de Lopes, indicado pelo deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP).

O objetivo imediato do Palácio do Planalto com as demissões é minar um suposto esquema de desvios, montado ao longo de anos, que teria ligações próximas a dirigentes do PR.

O Estado apurou que o ministro Paulo Passos prepara outro pacote de demissões para os próximos dias. Os alvos serão funcionários do Dnit de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul. O Dnit do Rio também está na mira.

Até agora não foi anunciado o substituto do diretor-geral do Dnit, Luiz Antônio Pagot, que está em férias e será demitido quando retornar ao trabalho em agosto. Dilma enfrenta dificuldades para encontrar nomes técnicos para preencher a equipe dos Transportes. Amanhã, ela terá nova reunião com Passos e espera-se que sejam anunciados os substitutos dos auxiliares que caíram no rastro do escândalo.

Também são esperadas as demissões do diretor de Infraestrutura Rodoviária do Dnit, o petista Hideraldo Luiz Caron, e de mais assessores ligados ao PR no ministério, incluindo apadrinhados de Costa Neto e do ex-ministro Alfredo Nascimento.

Do ministério foram exonerados José Osmar Monte Rocha, Estevam Pedrosa, Darcy Michiles e Maria das Graças de Almeida. Caíram no Dnit Luiz Cláudio dos Santos Varejão, coordenador-geral de Operações Rodoviárias - subordinado a Caron -, e Mauro Sérgio Fatureto, coordenador de Administração-Geral.

Cirurgia. A escolha dos demitidos foi cirúrgica. A maioria é vinculada a Costa Neto e Nascimento, que voltou ao Senado. São pessoas que mantinham influência no ministério. Atuavam na parte burocrática e na execução dos projetos da pasta. Eram assessores considerados "olheiros" do PR dentro do governo.

Um episódio ocorrido ontem demonstra que a "faxina" determinada por Dilma ao ministro Paulo Passos é feita sem qualquer diálogo com os atingidos.

José Osmar Monte Rocha, por exemplo, foi pego de surpresa ao chegar ao trabalho. Não sabia que seria demitido. A decisão foi tomada pelo ministro na segunda-feira após o Estado procurar o ministério para tratar do teor de uma reportagem envolvendo o nome de Rocha.

Reportagem do Estado revelou o envolvimento de Monte Rocha na contratação de uma empresa de fachada, a Tech Mix, pelo Dnit por R$ 18,9 milhões em 2010. Apadrinhado de Valdemar, Rocha era um dos elos do esquema entre a pasta e o Dnit.

Já Darcy Michiles é ligado a Alfredo Nascimento. Filiado ao PR no Amazonas, foi deputado e era Secretário de Fomento para Ações dos Transportes. Maria das Graças Almeida trabalhava com ele na secretaria. Ambos foram exonerados "a pedido". O outro demitido, Estevam Pedrosa, era um dos principais assessores de Nascimento.

A crise nos Transportes começou há pouco mais de duas semanas, após reportagem da Veja revelar a existência de um esquema de corrupção na pasta. Logo em seguida, o governo anunciou o afastamento de Pagot da diretoria-geral do Dnit, do presidente da Valec, José Francisco das Neves, o Juquinha, do chefe de gabinete do ministério, Mauro Barbosa, e do assessor Luiz Tito. Alfredo Nascimento não resistiu à pressão e pediu demissão.

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