Para ministro, filas são o preço de mais segurança nos aeroportos

Jobim espera aporte de R$ 2 bilhões, volta a defender mudanças na Anac e diz que vai reestruturar a Infraero

Vera Rosa e Christiane Samarco, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2027 | 00h00

As filas nos aeroportos não têm dia, mês e muito menos hora para acabar. Depois de receber o cargo do antecessor, Waldir Pires, o novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse ontem que a prioridade é decolar - e não investir na comodidade dos passageiros. Mesmo sem querer entrar no mérito de quem foi culpado pelo acidente com a avião da TAM, no dia 17, admitiu que é preciso trocar o comando da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) e mencionou um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no fim de semana, para tratar do assunto. ''''Se o preço da segurança for manter por algum tempo a fila (nos aeroportos), ela será mantida. Se o preço da segurança for o desconforto, será mantido o desconforto, porque é uma questão de opção'''', insistiu o ministro. Jobim ressalvou que, apesar das várias reformas nos aeroportos, muito ainda precisa ser feito pela segurança e disse confiar num aporte de recursos de R$ 2 bilhões. ''''O presidente Lula já disse claramente que não se teve nenhuma visão sobre as questões relativas às estruturas de pouso e de decolagem, mas houve grandes preocupações no que diz respeito à tentação de shoppings e criação de cinemas'''', comentou Jobim. Na cerimônia de transmissão do cargo, ele pediu um minuto de silêncio em homenagem aos 199 mortos no vôo 3054 e prometeu tomar decisões ''''até segunda-feira'''' para enfrentar a crise a curto, médio e longo prazos. Hoje, Jobim vem a São Paulo e deve visitar Congonhas e o Instituto Médico-Legal (IML), onde ocorre a identificação das vítimas, além de se encontrar com o governador José Serra (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (DEM). ANAC Em tom enérgico, o novo ministro da Defesa defendeu mudanças no modelo da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), sob o argumento de que o governo não pode ficar preso a ''''engessamentos'''' de órgãos que não estejam funcionando. Condenou, ainda, as vinculações de origem partidária que dominam a Anac. ''''Não podemos deixar que haja mais comandos fora de regências. Isso aqui tem de funcionar como uma orquestra (veja ao lado).'''' Ao defender uma ''''integração sistêmica'''' no setor aéreo, Jobim afirmou que vai trabalhar ''''de domingo a domingo'''' para mudar a Infraero. ''''Sou adepto da semana portuguesa.'''' Questionado sobre rumores no Planalto, indicando que o novo presidente da Infraero pode ser o ex-presidente do Banco do Brasil Rossano Maranhão, Jobim desconversou. ''''Se é civil ou militar não importa. O importante é que seja um gestor'''', comentou. Ao contrário do presidente, que confessou entregar ''''a sorte a Deus'''' quando entra no avião, o novo ministro disse não ter medo de aeronaves. ''''Nunca tive.'''' E garantiu que ''''é seguro voar no Brasil''''. Ontem, as duas maiores empresas aéreas do País - TAM e Gol - definiram quais rotas permanecerão e quais deixarão Congonhas. Haverá vôos para nove capitais e interior de São Paulo.

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