Para moradores, ameaças de bandidos são desculpa para atraso e preconceito

Na Rua Padre Francisco de Moura Roli, em Artur Alvim, zona leste, moradores contestam a informação do Departamento de Iluminação Pública (Ilume) de que técnicos teriam sido impedidos por criminosos na primeira tentativa de trocar as lâmpadas da rua. Para eles, o envolvimento de bandidos seria uma "desculpa" para a demora do órgão em devolver luz à via. "Que eu saiba, é desculpa da empresa para justificar a demora no atendimento. Ficamos três meses sem enxergar o chão", diz uma moradora, que pediu anonimato.Rafael Jesus Santos foi um dos primeiros que reclamaram das lâmpadas quebradas da rua. Foi ele quem recebeu do Ilume a resposta de que técnicos não iam ao local por causa de "maus elementos" que impediam os reparos. "A luz voltou no dia 3, mas com muito custo."Segundo a dona de casa Josefa dos Santos, que vive na Rua Padre Francisco há 30 anos, mais de cinco postes estavam sem lâmpadas. Apesar de dizer que o local é tranquilo, ela diz que tinha medo da escuridão. "Meu marido voltava muito tarde e dava preocupação", afirma a moradora.Ao lado dela, um grupo de vizinhos jogava baralho e tomava cerveja na segunda-feira passada, por volta das 15 horas. "Não sabemos de violência aqui. Nessa região não tem", garantiu um dos rapazes, Pedro Luiz. Segundo ele, já as lâmpadas queimam com frequência na rua. Para o pedreiro Aluísio Soares, em São Paulo, todas as ruas e bairros representam perigo à noite. "Isso é preconceito dos técnicos com o pessoal da periferia. A demora para trocar as lâmpadas sempre rende desculpa diferente. Nós já estamos acostumados", ironizou.

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