Para motoristas, fiscalização diminuiu

Procura por táxis não é tão grande quanto no início da lei seca, mas PM diz que controle está ainda mais rigoroso

Fernanda Aranda e Renato Machado, O Estadao de S.Paulo

13 de junho de 2009 | 00h00

A sensação de quem frequenta a noite paulistana é de que, ao contrário do que afirma a Polícia Militar, a fiscalização já não é a mesma dos primeiros meses após a entrada em vigor da lei seca. Os bares continuam movimentados, mas a procura pelos táxis diminuiu, assim como a utilização dos serviços especiais disponibilizados pelas casas noturnas, como motoristas particulares e estacionamentos para quem bebeu demais e quiser deixar os carros. E muitas pessoas reconhecem: voltaram a dirigir após beber, pois acham que é menor a chances de cair em uma blitz. "Eu nunca faço loucura de dirigir sem condições, mas acho que seria reprovado em um teste de bafômetro", brinca o empresário Jefferson Schimittel, de 23 anos, que assistiu ao jogo da Seleção Brasileira, na quarta-feira, em um bar da Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo. Ele conta que costuma sair com frequência do Ipiranga, onde mora, para aproveitar a noite em regiões de bares. "E nunca mais vi nenhuma blitz no caminho", diz ele, que concorda com uma lei mais rígida no trânsito, embora ache que os níveis de tolerância não deveriam ser fixos para todas as pessoas. A mesma opinião tem o casal de namorados Thiago Nogueira e Fernanda Camargo, de 26 e 21, respectivamente. Moradores da Freguesia do Ó, na zona norte, os dois não deixaram o automóvel em casa à noite, nem mesmo no período em que a fiscalização da PM era mais notada. E o motorista sempre foi Thiago, embora costume ingerir mais álcool que Fernanda. "Ela é mais fraca para o álcool e é capaz de ficar sem condições de dirigir com um copinho de cerveja. Por isso eu sempre levo o carro, embora a legislação considere ela mais apta."A Associação de Gastronomia, Entretenimento, Arte e Cultura da Vila Madalena (Ageac), que no início da lei seca havia fechado parceria com uma importante concessionária de automóveis para levar os clientes para casa, não faz muito tempo, rompeu o acordo. Os 40 carros escalados para levar os que exageravam na dose até suas residências ficaram às moscas nos últimos meses. As 30 viagens por dia na euforia pós-legislação caíram para uma por mês. Por isso, os automóveis foram devolvidos.O restaurante Jacaré Grill registrou uma queda de 40% no movimento nos primeiros dois meses da lei seca. Com o passar do tempo, os clientes voltaram, mas com um perfil um pouco diferente. A venda de bebidas destiladas caiu 25%, embora a de cerveja se mantenha. Por outro lado, o estabelecimento compensou a perda de lucro com as bebidas passando a servir mais refeições à noite. "Foi uma troca boa, porque é chato aguentar bebum", diz o proprietário, Marcelo "Jacaré" Silvestre. No início da lei seca, o estabelecimento colocou à disposição dos clientes um estacionamento com 35 vagas. "Nos fins de semana, em média cinco carros ficam aqui. Não são muitos." A PM nega ter reduzido a fiscalização. Segundo o comandante do 34º Batalhão de Trânsito, tenente-coronel Emílio Panhoza, as ações foram intensificadas neste ano com o aumento das áreas de cobertura. "Além das regiões estratégicas, nós começamos a fiscalizar entradas e saídas da capital. E com um contingente maior. Antes era só o 34º e agora contamos com o apoio de oito CPAs (Comando de Policiamento de Área)."FRASESJefferson SchimittelEmpresário"Eu nunca faço loucura de dirigir sem condições, mas acho que seria reprovado no bafômetro" Emílio PanhozaComandante do 34.º Batalhão de Trânsito"Além das regiões estratégicas, nós começamos a fiscalizar entradas e saídas da capital. E com um contingente maior. Antes era só o 34.º e agora contamos com o apoio de oito CPAs (Comando de Policiamento de Área)"

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