Para oposição, documento desmonta tese de Lula

Integrantes da oposição disseram ontem que o relatório final da Polícia Federal prova de vez a existência do mensalão e joga por terra a tese de que o esquema de corrupção denunciado na CPI era uma "farsa".

Karla Mendes, O Estado de S.Paulo

03 Abril 2011 | 00h00

"Diante de um relatório contundente como esse, o PT não vai ter como contestar mais, a título histórico, a existência do mensalão. E o ex-presidente Lula, que mostrou o desejo de desmontar essa história, não vai conseguir desmentir o mais grave escândalo de corrupção que ocorreu no coração do governo dele", afirmou o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), que era sub-relator da CPI dos Correios.

O deputado está otimista com a perspectiva de que, a partir desse relatório, o Supremo Tribunal Federal (STF) não deixará o episódio "passar em branco" e apurará a responsabilidade de cada um dos envolvidos no esquema.

"O mensalão aconteceu. Foi mais do que demonstrado. O PT só reconheceu que era caixa 2, mas não levaram uma pessoa sequer na CPI para demonstrar isso", ressaltou o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). O parlamentar, que era relator da CPI, destacou que a tese do PT nunca se sustentou. "Não era período eleitoral. Estava longe disso. E, se era caixa 2, era só levar o relatório de pagamentos."

"Nexo". Para representantes da bancada governista, o documento não altera a versão petista. "Não tem fato novo. O relatório apenas mostra a atuação das empresas de Marcos Valério e fazem um nexo que não tem nexo", disse o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). Ele sustentou que houve apenas um erro confesso: o caixa 2. "O que eu posso dizer é que não houve transferência de dinheiro público, muito menos a acusação do procurador de formação de quadrilha."

André Vargas, secretário de comunicação do PT, amenizou a divulgação, dizendo que é apenas uma investigação e ainda tem de passar pelo crivo do Judiciário. "O mensalão é tese da oposição, que a mídia e a Polícia Federal compraram. O Judiciário é que vai dar a última palavra", argumentou. Ele descaracterizou as acusações de que o volume de dinheiro envolvido no esquema visava a pagar parlamentares para votar favoravelmente às matérias de interesse do governo no Congresso.

"Qual a influência que o José Dirceu exerceu? Houve um empréstimo que ele tinha feito no BMG. O dinheiro foi para quitar dívidas eleitorais. Como é que ele ia pagar R$ 50 mil para o presidente da Câmara votar a favor do governo?", questionou Vargas, referindo-se ao então presidente da Casa, João Paulo Cunha (PT-SP).

Vicentinho. O deputado Vicentinho (PT-SP) se defendeu das acusações de envolvimento no esquema de corrupção - que teria ocorrido por meio de Nélio José Batista Costa, produtor de sua campanha para a Prefeitura de São Bernardo do Campo, que recebeu R$ 17 mil da Estratégia Marketing, empresa de Marcos Valério, em 5 de agosto de 2004, de acordo com o relatório da PF.

"A empresa que fez a minha campanha era do Marcos Valério mesmo. Mas isso foi em 2004, antes do mensalão. A minha pergunta é: o que eu tenho a ver com isso?"

O deputado argumenta que não conhece Nélio. "Não conheço, nem sei desse pagamento. Na campanha, trabalha muita, gente", justificou. "Se esse Nélio era funcionário e a empresa pagou por isso, não vejo onde está o problema. Não sou corrupto."

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