Para oposição, não cabe ''condenar quem denuncia''

BRASÍLIA

, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2011 | 00h00

O líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), disse ontem que o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, deveria apresentar explicações sobre o caso Palocci em vez de levantar suspeitas sobre os tucanos no episódio de vazamento de dados referentes ao ministro-chefe da Casa Civil. Dias afirmou que, se houve uma evolução patrimonial "exorbitante" e não explicada de Palocci, não cabe condenação a quem denuncia o fato.

Mais cedo, Carvalho havia acusado a Prefeitura de São Paulo de ter vazado dados referentes à empresa de consultoria Projeto, de propriedade do ministro da Casa Civil. Para Carvalho, houve quebra de sigilo tributário. "Temos informações de que dados do Imposto sobre Serviço (ISS) da empresa de Palocci foram obtidos na Secretaria de Finanças da Prefeitura de São Paulo", afirmou.

Segundo Dias, "a prática governista de procurar culpados já é conhecida". "Trata-se de uma estratégia para desviar o foco do que realmente importa saber: quantos foram os beneficiários e quanto ganharam com o eventual tráfico de influência do ministro Palocci." Para ele, o governo sempre procura desviar o foco da discussão, ao mesmo tempo em que brinda seus denunciados. "Hoje, o silêncio sepulcral da presidente Dilma pode transformá-la em cúmplice, se os ilícitos forem confirmados."

Transparência. Já o líder do DEM, senador José Agripino (RN), cobrou uma conduta mais transparente de Palocci. Ele ressaltou que todo cidadão tem direito de "ganhar dinheiro", mas ponderou que os homens públicos devem prestar esclarecimentos quando cobrados.

"Na medida em que você seja homem público, você se obriga a fazer de sua vida um instrumento de transparência. Vida de homem público tem de ser transparente. Se houver questionamento com relação a fatos que digam respeito à probidade de quem exerce vida pública, é obrigação do homem público prestar esclarecimento sem arrogância, sem truculência."

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