Para os cavalos, até acupuntura

Nunca o hipismo brasileiro teve um evento assim. Uma equipe de 1.000 homens levou 67 dias para preparar a Sociedade Hípica Paulista para o circuito do 1.º Athina Onassis International Horse Show. Um exemplo: como as cocheiras da Hípica são de concreto e representavam risco de lesão para os cavalos, foram construídas outras, feitas de lona. ''''Às vezes, o cavalo fica inquieto. Dá coice e, se a parede é de concreto, pode se machucar'''', explica André Beck, um dos organizadores do evento e empresário de Álvaro Affonso de Miranda Neto, o Doda, que trouxe a etapa do Concurso de Saltos Internacionais (CSI) para o País. O terreno da nova cocheira - vigiada por circuito interno de TV e seguranças - foi terraplenado, para evitar acidentes, como torções de pata. Na tenda estão cavalos valiosos como Levisto Z, um garanhão branco, da belga Judy Ann Melchior, de 20 anos, avaliado em US$ 3 milhões.O transporte aéreo dos 106 cavalos custou à organização US$ 700 mil. Só de ração, foram gastos mais de US$ 2 mil por animal. O custo total foi de R$ 11,5 milhões. Os cavalos ainda receberam tratamentos especiais. ''''Se o animal está tenso, passa por acupuntura, ultra-som e recebe mantas magnéticas para relaxar'''', diz Beck. ''''Mesmo na Europa é difícil encontrar um evento desse tamanho'''', disse o cavaleiro brasileiro Cassio Rivetti, de 27 anos, que, como os demais participantes, foi escalado para avaliar o evento.Os cavaleiros costumam dar uma volta com animais nas primeiras horas da manhã para avaliá-los. ''''Eles questionam o tratador sobre qualquer comportamento diferente'''', explica Andre Jacques Le Goupil, locutor oficial do CSI e ex-cavaleiro.''''O cavalo aqui tem papel fundamental. Você não vence uma prova se o seu cavalo não estiver 100%. Mas o contrário vale. O cavaleiro pode não estar tão bem e ganhar a prova, se o animal estiver em ótimas condições'''', disse Doda, que levou três cavalos para o evento.

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2005 | 00h00

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