Para pacificar tucanos, Alckmin nomeia Calabi

Com bom trânsito no PSDB em São Paulo, futuro secretário da Fazenda é próximo de José Serra, mas também é amigo íntimo do governador eleito

Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2010 | 00h00

Ao anunciar ontem mais três nomes de sua equipe, o governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), aproveitou a chance para pacificar a ala serrista do partido. O novo secretário da Fazenda é Andrea Calabi, amigo do ex-governador José Serra, de quem foi secretário adjunto no Ministério do Planejamento.

A opção por Calabi - nome com bom trânsito entre as duas alas do PSDB paulista - coloca ponto final nas articulações do grupo de Serra pela permanência do atual secretário, Mauro Ricardo. No jogo de acomodação, Ricardo tem futuro incerto, mas foi sondado pela Prefeitura de São Paulo - em que foi secretário de Finanças da gestão Serra - e pelo governador eleito de Minas, Antonio Anastasia (PSDB).

Na avaliação de tucanos ligados à transição, Calabi tem mais proximidade com Alckmin para desempenhar a função, além de de ter maior poder de interlocução e articulação. Em seu favor, o futuro secretário da Fazenda tem uma passagem na gestão anterior do tucano. Entre 2003 e 2005, foi o titular da pasta de Planejamento de Alckmin.

Ricardo, por sua vez, é considerado pelos aliados do governador eleito como um quadro excessivamente técnico. Ele é auditor de carreira da Receita Federal. Na visão desse grupo tucano, sua autonomia à frente da pasta, oferecida por Serra, não teria continuidade sob Alckmin, o que poderia gerar conflitos.

Ao Estado, Calabi afirmou que reforçará bandeiras da Receita estadual, como a Nota Fiscal Paulista. "É um bom instrumento, que será mantido e aperfeiçoado", afirmou. Para ele, o foco primordial será o de melhorar os sistemas de fiscalização de grandes contribuintes.

Em outra frente, o futuro secretário disse que lutará pela desoneração de todos os produtos da cesta básica - uma promessa de campanha de Alckmin. "É uma visão importante, social."

Calabi é o terceiro nome próximo de Serra a ser confirmado por Alckmin em sua equipe, em um total de 13 anúncios. Foram também contemplados Linamara Rizzo Battistella (Direitos da Pessoa com Deficiência) e Sidney Beraldo (Casa Civil), ambos com atuação protagonista na atual gestão tucana.

Coordenação. No anúncio de ontem, Alckmin fechou sua equipe de coordenação de governo ao oficializar o nome do deputado federal reeleito, Emanuel Fernandes (PSDB), para a pasta de Economia e Planejamento.

Fernandes, que vinha sendo cotado desde a vitória tucana no Estado, é próximo de Alckmin e faz parte de sua cota pessoal de nomes. Foi, entre 2005 e 2006, secretário de Habitação do tucano, além de governar São José dos Campos por dois mandatos. A cidade fica no Vale do Paraíba, região onde Alckmin tem forte influência.

Alckmin indicou ainda o novo procurador-geral do Estado, Elival da Silva Ramos. Ele trabalhou na gestão do tucano, entre 2001 e 2006, chefiando o mesmo setor do governo.

Ramos já recebeu de Alckmin a primeira tarefa de sua gestão. Montará um grupo de trabalho para analisar o processo de divisão dos royalties do pré-sal. "Essa questão não era tratada com muita ênfase, agora, cada vez mais será", afirmou.

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