Para pai de Liana, prisão de jovem de 16 anos é disparate

O advogado Ari Friedenbach levantou a bandeira da redução da maioridade penal após viver a dor de perder a filha, a estudante Liana, estuprada e morta em novembro de 2003 por R.C., o Champinha - ambos tinham 16 anos quando o crime ocorreu. No entanto, nesta quinta-feira, dia em que projeto que diminui a maioridade penal de 18 para 16 anos, Friedenbach tem outro entendimento sobre o caminho para evitar que outros crimes, como o que matou Liana, se repitam. ?Defendi a redução da maioridade no pós-choque ?, disse. ?Com o tempo, elaborei meus pensamentos, discuti o assunto com especialistas, li muito e, hoje, acho que seria um disparate colocar na prisão um jovem de 15, 16 anos?, afirmou o advogado. Para ele, a redução da maioridade penal atinge de forma ?muito limitada? o problema da violência. Ele defende o aumento do prazo de internação na Febem (atual Fundação Casa) para 10 anos. E que menores autores de crimes hediondos respondam de acordo com o tempo de prisão estabelecido pelo Código Penal em unidade especial da Fundação Casa. Tudo isso, acompanhado de políticas sociais. ?Ao deixar centenas de milhares de pessoas sem escola, o governo cria o criminoso do amanhã. Não há política de segurança eficiente sem que seja acompanhado de políticas sociais?, diz Friedenbach. Questionado se Champinha também seria uma vítima da falta de políticas sociais, Friedenbach parece retornar ao estado de choque que descreveu após a morte da filha. ?O caso dele é diferente, é um psicopata, um doente, e deveria ser internado em um hospital psiquiátrico até morrer?, diz. Mais calmo, reconsidera. ?Se na escola primária ele tivesse sido encaminhado para um sistema decente de saúde, talvez a minha filha ainda estivesse aqui.?

Agencia Estado,

26 Abril 2007 | 22h17

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