Para Patriota, Amorim abre portas no exterior

Atual chanceler elogia antecessor; José Dirceu lamenta a saída de Jobim, e cúpula do PMDB ignora o ex-ministro

Denise Madueño, Eugênia Lopes, Fábio Grellet e Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

06 Agosto 2011 | 00h00

Sucessor de Celso Amorim nas Relações Exteriores, o ministro Antonio Patriota acredita que a nomeação de seu antecessor para a Defesa vai ajudar o Brasil na campanha por um posto permanente no Conselho de Segurança da ONU - uma das causas mais valorizadas pelo Itamaraty durante o governo Lula.

"O Brasil continua a desenvolver um perfil internacional de vetor da paz, com atuação muito participativa nas Nações Unidas", disse Patriota, em evento no Rio em homenagem ao ex-ministro San Tiago Dantas (1911-1964). "À frente da Defesa, Amorim vai contribuir para fortalecer esse perfil internacional do Brasil."

Também no Rio, o ex-ministro José Dirceu considerou "lamentável" a saída de Nelson Jobim, mas elogiou a escolha de Amorim e definiu como "série de incidentes" os episódios que levaram à troca de ministros.

"É lamentável a saída porque ele (Jobim) estava fazendo um trabalho excepcional. A solução Celso Amorim é excelente. Tem experiência, autoridade. O importante é dar continuidade ao trabalho", afirmou. "Quem tem prestígio nas Forças Armadas é a presidente da República, que é chefe das Forças Armadas. O ministro tem delegação dela."

PMDB. No principal aliado do PT, a troca de comando na Defesa não foi sentida. A cúpula do PMDB deixou Jobim largado à própria sorte no período de choques com a presidente Dilma Rousseff. O comando partidário não se preocupou em defender o peemedebista nem indicar outro nome para o lugar. O posto, repetiram líderes da sigla nos últimos dias, é da presidente.

Além de negar a intenção de fazer o novo ministro, peemedebistas procuraram desfazer qualquer interpretação de que estariam insatisfeitos com a nomeação de Amorim. "Essa história de que desagrada ao PMDB é mentira deslavada. O partido não indicou Jobim nem tem por que opinar na mudança", afirmou, por meio do twitter, o vice-presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Geddel Vieira Lima (PMDB).

"Nem a indicação nem a substituição de Jobim foram partidárias", resumiu o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). Para peemedebistas, Amorim tem o mesmo peso para o PT que Jobim tinha para o PMDB. O novo ministro da Defesa filiou-se ao PT há dois anos, a pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antes, era filiado ao PMDB.

Apesar da longa história no partido, Jobim é considerado um outsider, ou seja, está distante das decisões, apesar de sempre ocupar postos de destaque. "Jobim finge que é do PMDB, e o PMDB finge que ele é do partido", resumiu um peemedebista.

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