Para peemedebistas, governo faz vista grossa e ajuda a piorar conflito

Além de se sentir preterido pelo governo na partilha de cargos, a cúpula do PMDB critica muito a forma de negociação com o partido. Dirigentes reclamam que o PT tem avançado em postos importantes antes ocupados pelo PMDB e que o governo tem feito vista grossa para o problema e até ajudado a piorar o relacionamento entre as duas legendas.

Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2011 | 00h00

Os peemedebistas se queixam particularmente das conversas em torno do controle da Embratur. Com a partilha do primeiro escalão, PT e PMDB acabaram fazendo uma espécie de troca na ocupação dos Ministérios da Saúde e do Turismo. A presidente Dilma Rousseff indicou o petista Alexandre Padilha para a Saúde, que era chefiada pelo peemedebista José Temporão. No Turismo o petista Luiz Barreto deu lugar a Pedro Novais (PMDB-MA).

Como a Embratur está subordinada ao Ministério do Turismo, entraria no bolo de cargos ao qual o PMDB teria direito no setor. Assim, já estava praticamente decidido que o ex-ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima, derrotado por Jaques Wagner (PT) na corrida pelo governo da Bahia, iria ocupar a direção da Embratur.

Antes dessa efetivação, porém, o ministro da Casa Civil, Antônio Palocci (PT), procurou o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), para falar sobre o futuro da Embratur. Palocci pediu que Henrique intercedesse perante o comando do PMDB para que não fosse feita alteração na direção da empresa.

O ministro disse que o governo ficaria muito satisfeito se a chefia da Embratur continuasse com o petista Mauro Moysés. Henrique disse que iria consultar o partido, mas achava aceitável a proposta. Moysés foi mantido no cargo e, logo depois, o PMDB se surpreendeu com a perda de vagas que mantinha na Saúde com a posse de Padilha. Ao contrário do que foi feito no Turismo, o PMDB não foi consultado sobre a chance de manter em seu poder cargos estratégicos, como a presidência da Funasa e a Secretaria de Atenção à Saúde.

O partido foi informado de que seus aliados seriam simplesmente retirados dos postos e os novos titulares seriam indicados por Padilha. Além de não ter havido a reciprocidade, os ocupantes dessas diretorias tinham sido indicados pelo próprio Henrique Eduardo Alves.

Para piorar a situação, os peemedebistas ficaram decepcionados com a decisão tomada por Padilha, pois acreditavam ter um ótimo relacionamento com o ministro. Acreditavam até ter contribuído politicamente para garantir sua ida para a Saúde. A partir daí, tornaram públicas as queixas.

O problema é que outros partidos também reclamam da cota de cargos. O PDT pleiteou o controle da Usina de Itaipu para o senador Osmar Dias (PR), que ficará sem mandato, depois de concorrer ao governo do Paraná para garantir palanque forte para Dilma no Estado.

O governo não aceitou o pedido, dizendo que manteria o petista Jorge Samek. O PDT propôs, então, alguma diretoria do Banco do Brasil. De novo, ouviu a recusa e um aceno para receber o comando da Companhia Nacional de Abastecimento. A proposta, porém, não agradou aos pedetistas.

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