Para petista, 'único juiz da mídia é o público'

No ambiente que tanto preza, diante de sindicalistas com quem convive desde os anos 70 e prefeitos do PT, o presidente Lula inaugurou ontem à noite em São Bernardo do Campo a TVT (TV do Trabalhador), primeira emissora outorgada a um sindicato da categoria. Ele declarou: "O brasileiro está cada vez mais consciente, sabe muito bem distinguir o que é informação e o que é distorção dos fatos, o que é bom e mau jornalismo. O único juiz da imprensa é o público."

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2010 | 00h00

A TVT é antiga aspiração do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que Lula presidiu até ser preso pelo regime militar, em 1980. Sete anos depois, deputado federal, Lula entregou a Antonio Carlos Magalhães, então ministro das Comunicações, o pedido de concessão. "Não seria justo que sindicatos e movimentos sociais continuassem impedidos de exercer a liberdade de expressão utilizando suas próprias emissoras de TV", disse o presidente no Centro de Formação dos Professores Ruth Cardoso.

Ele não citou Dilma Rousseff, que apoia para sua sucessão, porque o compromisso tinha caráter oficial. "Concessões devem ser exploradas sim pelas empresas comerciais, mas também pelas empresas públicas e por entidades da sociedade civil organizada. É isso que reza nossa Constituição, nossas leis."

Inicialmente, a emissora produzirá sete programas, com uma hora e meia diária no total. A grade será completada, na primeira etapa, com retransmissões da TV Brasil e especiais das TVs Câmara e Senado. A transmissão será feita pelo canal UHF 46, de Mogi da Cruzes. O projeto inclui transmissões via cabo por meio de canais comunitários. Foi feito aporte de R$ 15 milhões que os metalúrgicos calculam suficientes para manter a emissora durante três anos.

"A inauguração dessa emissora gerida pelos trabalhadores dá novo vigor a algo que é sagrado para todos nós, a liberdade de imprensa", afirmou Lula.

Arthur Henrique, presidente da CUT, anotou que a TVT significa mais uma conquista. "Vamos continuar rompendo preconceitos importantes, por exemplo, elegendo uma mulher para presidente da República".

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