Para PF, estudante morreu asfixiada na cabine do navio

Delegado acredita que jovem bebeu álcool em excesso e se sufocou com o próprio vômito

Fabio Mazzitelli, O Estadao de S.Paulo

23 de dezembro de 2008 | 00h00

Morte por asfixia, após ingerir o próprio vômito dentro da cabine do transatlântico. Essa é a hipótese mais provável para a morte da universitária Isabella Baracat Negrato, de 20 anos, de acordo com o delegado Eduardo Marcondes, da Polícia Federal, que preside o inquérito que investiga o caso.A estudante de Direito de Bauru, interior do Estado, morreu na sexta-feira, durante um cruzeiro do transatlântico MSC Ópera entre Santos e Rio. Como a jovem faleceu dentro do navio, o caso está sob responsabilidade da Polícia Federal em São Sebastião, cidade do litoral norte de São Paulo, onde o corpo da estudante foi analisado. Depois dos primeiros relatos e de participar da remoção do corpo, o delegado federal afirma que a possibilidade de asfixia é mais forte do que overdose de drogas. "Ela tinha todos os sinais de asfixia. Ainda são informações preliminares, mas parece uma fatalidade mesmo", diz Marcondes."Pela experiência e por aquilo que o médico me passou, apostaria na asfixia. Ela já tinha bebido demais, tinha sido atendida outras vezes (no navio) por excesso de álcool, foi para o local (cabine), passou mal, vomitou, desmaiou e se engasgou, igual a uma criança que se engasga à noite e tem morte súbita. A Isabella teria morrido por falta de oxigênio, e não por causa de intoxicação", afirma.Isabella morreu sozinha dentro da cabine do navio, que dividia com outra jovem. "Eu diria que foi o vigor da juventude, querendo curtir tudo em um momento só, associado a uma eventual falta de assistência de alguém ao lado. Se isso acontece na sua casa, tem sempre alguém olhando. Aconteceu em um lugar em que ela estava sozinha e ninguém viu", diz o delegado.Marcondes calcula que, anualmente, morram cerca de cinco pessoas a bordo de navios no litoral paulista, levando em conta embarcações de carga, militares e transatlânticos. No caso de Isabella, entretanto, o delegado não vê negligência da organização do cruzeiro. "É mais comum do que parece (morte em navio). Mas, nesse caso, não vejo responsabilidade porque ela estava na cabine. Se você vai dormir no seu quarto e passa mal, não posso ficar te olhando no teu quarto", explica.Em depoimento tomado pela PF em Santos, a colega de cabine de Isabella afirmou que as duas haviam bebido demais, mas negou a ingestão de outras drogas, como ecstasy e LSD.APREENSÃO"Nesses embarques (de cruzeiros), é corriqueiro apreendermos ecstasy, lança-perfume, LSD. Mas, nesse caso, nada foi me falado a respeito", afirma Marcondes, que diz já ter colhido cerca de oito depoimentos no inquérito.O delegado diz não ter conhecimento da prisão de dois jovens que supostamente tentavam embarcar com drogas no cruzeiro de Isabella, informação divulgada pela alfândega de Santos. "Não entendi essa declaração de que duas pessoas foram presas embarcando nesse navio porque quem prende é a Polícia Federal e eu não fui comunicado disso."Apesar de acreditar em asfixia, Marcondes frisa que aguarda os resultados da necropsia. "Nunca podemos descartar a hipótese de homicídio. Eu não acredito, mas tenho de esperar o laudo e levar a cabo todas as possibilidades. Às vezes, há sinais de asfixia, mas ela foi drogada, envenenada, algo assim. Aí muda toda a história."

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