Alex de Jesus/O Tempo
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Para polícia, Bruno planejou usar período da Copa para matar Eliza

'Já estava tudo previamente planejado desde maio', diz delegado; inquérito foi entregue ao MP

Eliane Souza, especial para o Estado

30 de julho de 2010 | 18h22

BELO HORIZONTE - O delegado Edson Moreira, chefe do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Minas Gerais, disse nesta sexta-feira, 30, que o goleiro Bruno Souza planejou usar o período da Copa do Mundo, que aconteceu entre o início de junho e o início de julho na África do Sul, para sequestrar e matar Eliza Silva Samudio, de 25 anos, sua ex-amante. Para Moreira, o período foi escolhido pela ausência de jogos do clube Flamengo. "Já estava tudo previamente planejado desde maio", disse o delegado.

 

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Como o jogador não foi apontado como o executor de sua ex-amante, o delegado o classificou como "autor intelectual" e disse que Marcos Aparecido dos Santos, o Bola já estava contratado desde fevereiro para executar o crime. Ainda segundo o chefe da investigação, já foi solicitada a conversão das prisões temporárias dos suspeitos em preventivas, que valem até o fim de um possível julgamento.

 

O inquérito sobre o desaparecimento de Eliza foi concluído na quinta-feira, 29. Bruno e mais oito pessoas foram indiciadas por homicídio, sequestro, cárcere privado, ocultação de cadáver, formação de quadrilha e corrupção de menores. O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, apontado como executor, foi indiciado por homicídio triplamente qualificado (motivo fútil, meio cruel e não possibilitou a defesa da vítima), formação de quadrilha e ocultação de cadáver.

 

O Ministério Público de Minas Gerais informou que recebeu o inquérito no início da tarde de hoje. O documento tem 1,6 mil páginas e foi entregue ao promotor Gustavo Fantini. Ele tem até o dia 6 de agosto para decidir se oferece denúncia contra os indiciados. A promotoria também pode denunciar ou pedir novas diligências.

 

Provas. As provas técnicas incluídas pela Polícia Civil de Minas Gerais no inquérito que indiciou o goleiro Bruno de Souza e outros oito adultos pelo desaparecimento e morte de Eliza Samudio, 25 anos, ex-amante do atleta, destacaram os registros feitos pelas antenas de telefonia celular.

 

Segundo o relatório, o sistema de telefonia registrou trajetos que coincidem com o deslocamento de Eliza do Rio de Janeiro a Minas Gerais e com a ida dela do sítio de Bruno até a casa do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, onde a polícia afirma que ela foi executada, no dia 10 de junho.

 

A polícia afirma, que os dados obtidos com a quebra do sigilo telefônico dos suspeitos coincidem com os depoimentos prestados e demonstram a ligação entre eles. Os dados do sistema de localização GPS da Range Rover, de propriedade de Bruno e conduzida por Luiz Henrique Romão, o Macarrão, também reforçam as versões apresentadas em depoimentos. O sangue encontrado no carro é de Eliza Samudio, assim como um par de sandálias e óculos escuros que foram reconhecidos pelas amigas do Rio.

 

As provas técnicas incluem a fralda tamanho P/M encontrada em uma das suítes do motel em Contagem que teriam sido ocupadas por Eliza, o filho, Bruno, Fernanda, Macarrão e o adolescente. Além das fotos queimadas do bebê achadas em um ponto próximo à cerca do sítio de Bruno. Também foram incluídos diversos laudos de perícias nos computadores de Eliza e Macarrão, que demonstraram a existência de fotografias da criança e de Bruno, de um contrato, no notebook de Macarrão, a ser firmado entre Eliza e Bruno, com data de 8 de junho de 2010 (quando ela estava no sítio) e uma procuração em branco.

 

As gravações de entrevistas feitas pelos suspeitos, pelo irmão de Dayanne e pelo tio do menor à imprensa foram anexadas ao inquérito, bem como o vídeo gravado por Eliza na saída de uma delegacia no Rio de Janeiro, onde ela denunciou ter sido forçada a beber substâncias abortivas.

 

O pai de Eliza, Luiz Carlos Samudio, foi até o Departamento de Investigações, nesta tarde. Ele chorou durante a entrevista do delegado. Segundo ele, "ainda tenho esperança de encontrar o corpo e prestar a última homenagem."

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