Para polícia, casal foi assassinado por vingança

Assassinato por vingança. É a principal tese da polícia para a morte do diretor de Engenharia da empresa Desenvolvimento Rodoviário S.A (Dersa), Manfred Albert von Richthofen, de 49 anos, e da psiquiatra Marísia von Richthofen, de 50. A possibilidade de um latrocínio (matar para roubar) está praticamente descartada, apesar de os bandidos terem levado jóias, além de dinheiro. O desafio para a polícia agora é descobrir quem e por quê.Os assassinos, segundo policiais, montaram um cenário na casa de número 232 da Rua Zacarias de Góis, no Campo Belo, zona sul de SP. O objetivo seria confundir a polícia. Manfred e Marísia foram mortos com pancadas na cabeça, provavelmente de joelhos. Em seguida, foram colocados na cama.O diretor da Dersa teve o braço cuidadosamente colocado para fora da cama. O assassino completou a cena deixando o revólver 38 da vítima próximo de sua mão. A arma ficava escondida.A possibilidade de roubo seguido de morte foi levantada após os filhos do casal, Suzane Louise, de 19 anos, e Andreas Albert, de 15, terem constatado que haviam sumido R$ 8 mil e US$ 5 mil, que ficavam guardados numa maleta com segredo. Eles tinham saído com o namorado de Suzane, Daniel Cravinhos de Paula e Silva, de 21. Andreas ficou num bar tipo cybercafé, enquanto Suzane e Daniel foram namorar.Mas, segundo policiais, os bandidos levaram jóias também, mas as que ficavam escondidas no fundo falso de um móvel. Assim como o revólver, esse é mais um indício que comprovaria a principal tese dos investigadores: os assassinos conheciam a casa.A vingança também estaria demonstrada na violência empregada pelos criminosos, que espancaram as vítimas. Marísia teve um osso do pescoço quebrado, os dedos muito machucados (como se tivesse tentado se proteger das pancadas), uma toalha na boca, um saco plástico na cabeça, além de diversos hematomas. Manfred também tinha diversas escoriações.O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) ouviu nesta quarta-feira cinco pessoas, no inquérito que investiga o crime. Entre elas, está o pai de Daniel, Astrogildo de Paula e Silva, as secretárias de Manfred e Marísia, um amigo do casal e um policial militar que foi até a casa após o chamado de Suzane na noite do assassinato.Ainda nesta quarta-feira, pela primeira vez, a polícia concedeu uma entrevista sobre o caso e reafirmou a investigação de todas as possibilidades. Os delegados Armando de Oliveira Costa Filho e Cíntia Tucunduva Gomes e o promotor Virgílio Antônio Ferraz do Amaral pouco disseram."Nem sempre é possível transmitir fatos, pois a investigação pode ser comprometida", disse a delegada. Perguntada se havia ao menos uma pista dos assassinos (a resposta poderia ser sim ou não), Cíntia fez uma longa pausa e afirmou: "A próxima pergunta, por favor".

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