Para polícia do Rio, é ''eficiente'' preso no PR

O chefe de Polícia Civil do Rio, Allan Turnowski, afirmou que manter presos em outros Estados facilita a segurança pública ao dificultar a comunicação entre criminosos encarcerados e comparsas. "Mesmo em um presídio de segurança máxima aqui, a facilidade de comunicação com o advogado aumenta muito. Ele está próximo e não precisa pegar um avião. Manter (os presos) em Catanduvas é um facilitador de segurança do Rio." A medida é vista pelo chefe da polícia como "prática e eficiente" no combate ao crime. "Em vez de ficar preocupado com eles aqui, uso esses recursos e aplico em outro lugar. É uma coisa a menos para a polícia se preocupar." Na terça-feira, o Tribunal de Justiça do Rio devolveu três traficantes para a Penitenciária Federal de Catanduvas. A Justiça Federal do Paraná alega que os detentos já cumpriram um sexto das penas e têm direito a benefícios, como progressão ao semiaberto. O Rio, porém, não os aceitou e, com base em apelo ao Superior Tribunal de Justiça, devolveu os presos. Turnowski argumentou que o cumprimento de pena em outros Estados é legal porque tráfico é crime federal. Além disso, o afastamento do Estado educa o preso, diz Turnowski. "O preso quando voltar vai estar mais manso e, por desejar ficar no Rio, se comportará." MUDANÇAS O governador Sérgio Cabral Filho defendeu ontem mudanças na lei. "Os advogados desses presos ficam tentando buscar brechas na lei, que ainda é muito frágil para atenuar a pena desses marginais, sob o risco de alguns deles obter a progressão ao regime semiaberto. O Congresso Nacional deveria fazer uma mudança na lei do processo penal que dá enorme favorecimento a marginal." O juiz Sérgio Fernando Moro, da Seção Federal de Execução Penal de Catanduvas, mostrou ontem três avisos de recebimento, assinados pela Vara de Execuções Penais do Rio, do Sedex do dia 13, que informava sobre a transferência. A Vara do Rio alegou que não foi avisada sobre a decisão.

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