Para políticos e marqueteiros, campanha agora é a 'que vale'

Desde os anos 70 a força da TV é força decisiva.Fala dos candidatos devem entrar em [br]27 milhões de casas

Gabriel Manzano, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2010 | 00h00

Durante 39 dias "úteis", de hoje a 30 de setembro, acontece, no dizer de políticos e marqueteiros, "a campanha eleitoral que vale" - a da televisão. Nas contas do Programa Nacional de Amostra Domiciliar (PNAD) de 2008, ela pode chegar a 54,7 milhões de domicílios - os 89% do total do País onde há uma TV instalada. Como esses programas conseguem manter ligados, em média, cerca de 50% de aparelhos, pode-se dizer que as mensagens dos candidatos podem entrar, todo dia, em algo como 27 milhões de casas. "Podem" porque em 8,2 milhões deles também há TV paga.

 

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Essa força toda vem de longe - nos anos 70, a TV podia não ter o mesmo peso de hoje, mas já era decisiva. Por isso ninguém se surpreendeu quando, em 1976, a ditadura baixou a lei 6.339, dita Lei Falcão - que resumia a propaganda a uma rápida mensagem com nome do candidato, seu partido, o número de registro e uma pequena foto. A ideia dos quartéis, claro, era impedir a circulação de ideias perigosas.

Sorte de Gilberto Kassab (DEM)que isso seja coisa do passado. Trinta anos depois, em plena democracia, ele saltou de 14% nas pesquisas, no início da campanha para a Prefeitura de São Paulo, em 2008, para a vitória no primeiro turno contra Marta Suplicy e Geraldo Alckmin, chegando a 60,7% dos votos contra Marta no segundo.

A força da TV deixou marcas profundas também em 1989. Em três meses o desconhecido Fernando Collor se transformou em celebridade nacional, bateu nas urnas mitos como Leonel Brizola e Ulysses Guimarães, e à custa de uma denúncia no programa eleitoral derrubou o rival Luiz Inácio Lula da Silva. Collor apresentou ao País Míriam Cordeiro, que revelou ao País a existência de uma filha do petista com ela. Outra virada histórica foi a de Mário Covas, em 1998. Saindo atrás de Paulo Maluf, ele virou a disputa em um único debate, nas vésperas da eleição, levando o rival às cordas numa discussã0 sobre ética na política. Outro exemplo célebre foi o de Enéas, do Prona. Com apenas um minuto de tempo, dizia uma frase rápida e bradava "Meu nome é Enéas!", em 1994. Ficou em terceiro na briga pela Presidência, atrás de FHC e Lula, com 4,7 milhões de votos.

Um estudioso do assunto, o advogado Everson Tobaruela, divide-o em quatro fases marcantes. Primeiro, "um tempo de ampla liberdade", antes de 1964. Depois, o regime militar, que controlou tudo por 21 anos. O terceiro momento foi a volta da liberdade, com a Constituição de 88 e a Lei 9.504, de 1997. E a quarta etapa, com a Lei 11.300, de 2006. Segundo ele, "um período castrense civil" marcado por "avanços indevidos da Justiça eleitoral", que "impede na prática a divulgação das ideias partidárias". D

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