Para professor, racionamento de água traz risco de contaminação

O racionamento de água adotado para evitar o colapso de mananciais em épocas de seca, além dos transtornos tradicionais, também oferece risco à saúde pública.O alerta é do professor Ivanildo Hespanhol, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).O governo do Estado de São Paulo admite o risco "teórico", mas garante que não há registros de doenças causadas por consumo de água. Segundo Hespanhol, o problema está no processo do racionamento, que fecha e reabre o fornecimento de água na rede.Ele diz que o esvaziamento da tubulação cria uma pressão negativa que, num processo de sucção, atrai as impurezas como lixo e esgotos para o interior da rede, por causa de falhas e orifícios em junções - através dos quais também ocorrem os vazamentos. "A conseqüência é trazer poluente para a casa do consumidor", diz Hespanhol.O secretário de Estado dos Recursos Hídricos de São Paulo, Antônio Carlos Mendes Thame, diz que "teoricamente" Hespanhol tem razão, mas acrescenta que, na prática, "isso não tem sido motivo de tamanho alarme".O secretário ressalta que, no ano passado, 3,5 milhões de pessoas na Grande São Paulo passaram por racionamento e não foi constatado nenhum caso de doença relacionado à água.Ele afirma que, se Hespanhol não tem dados estatísitcos que comprovem essa relação, "o que ele está fazendo é terrorismo".

Agencia Estado,

27 de abril de 2001 | 22h20

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