Para provar que acabou o 'samba de uma nota só'

Marina em pré-campanha cansou de responder que sua candidatura não era um "samba de uma nota só". A sustentabilidade, como tema, e a transversalidade, como conceito, eram como uma nuvem de palavras difusas que só atingia o eleitor da classe média alta urbana - um segmento social restrito demais para quem considera que, dessa vez, o PV não está para brincadeira. Já passou da fase de marcar posição.

Análise: Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2010 | 00h00

Enquanto a classe média alta urbana, fã da candidata verde, movimenta-se em ações virtuais que angariam seguidores nas redes sociais e no Twitter, Marina foi a campo com um time de especialistas para colocar no papel substantivos no lugar das nuvens difusas.

Elaborou, com a ajuda de 92 deles, todos com seus nomes estampados no site de campanha, seu novo programa de governo. Um documento que carrega, em suas 38 páginas, a tentativa de, pela primeira vez, significar o real para a realidade do eleitor.

"O que não me falta é equipe. Temos aqui equipe da melhor qualidade", comemorou Marina ontem, no discurso de lançamento do programa, em São Paulo.

Não por menos. Na bancada, a candidata verde tinha ao lado de nomes fortes da academia, como os do economista José Eli da Veiga (USP), do também economista Ricardo Paes de Barros (Ipea), do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro (UFRJ) e da socióloga Maria Alice Setúbal (PUC-SP), todos colaboradores do documento.

O cientista político Luiz Eduardo Soares (UERJ) não pôde comparecer ao evento, mas em grande medida foi a estrela do dia, citado diversas vezes por sua colaboração com as propostas de segurança pública - área em que Marina precisava de mais solidez para debater com adversários.

"Vamos fazer política grande, com "P" maiúsculo", continuou a candidata verde, em seu discurso. "Há vida inteligente para além dos partidos."

Na mesma bancada, de tantos acadêmicos e uma presidenciável, apenas dois homens de partido: o vereador carioca Alfredo Sirkis, candidato à Presidência pelo PV em 1998, e o secretário municipal do Meio Ambiente na capital paulista, Eduardo Jorge.

Sirkis, quando assumiu o microfone, demonstrou em poucas palavras o tamanho da guinada no PV com a entrada de Marina no partido.

"Não somos um País que valoriza programa ou partidos programáticos. São legendas para abrigar aspirantes a uma carreira política. O PV e a candidatura de Marina quer colocar o programa no centro das discussões", afirmou.

Sirkis ainda relembrou o programa de governo de sua candidatura, há 12 anos, e assumiu que naquele momento só pretendia marcar território para searas futuras. Segundo ele, as propostas, utópicas, serviam apenas a alguns que, de maneira despropositada, ainda acreditavam na vitória.

Dessa vez, o PV trabalhou de maneira tão diferente que o slogan para apresentação das diretrizes do programa de Marina era "Governar é tomar decisões". Com os acadêmicos a seu favor, a candidata decidiu e superou a mesmice verde.

É JORNALISTA DE "O ESTADO DE . PAULO"

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