Para PT, adversários fazem "uso político" de seqüestros

A cúpula do PT está convencida de que seus adversários estão fazendo "uso político" de seqüestros no Brasil, com o objetivo de atingir a candidatura presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de outubro. "É um absurdo alguém pensar que o PT possa estar ligado à violência", afirmou Lula. Irritado, ele partiu para o contra-ataque e acusou: "Quem está ligado à violência são os partidos de direita no País."O deputado José Dirceu (SP), presidente nacional do PT, disse que a legenda não tem e nunca terá "nenhum tipo de condescendência" com atos de seqüestro. Dirceu manifestou solidariedade ao publicitário Washington Olivetto, resgatado na noite de sábado. "Lamentavelmente, não tivemos esse mesmo desenlance no caso do prefeito de Santo André, Celso Daniel", notou. "Sabemos o que significa a dor e a perda."Para Dirceu, a polícia está cometendo um "atentado" aos direitos individuais e políticos quando insinua que o PT defende os seqüestradores. Informações reservadas dão conta de que o grupo seria de extrema-esquerda e teria ligação com aquele que seqüestrou o empresário Abílio Diniz, em 1989."O seqüestro do Abílio Diniz foi contra o PT, contra a democracia, afetou as eleições e prejudicou o partido", argumentou Dirceu. Naquele ano, Lula concorria pela primeira vez à Presidência e perdeu. No dia da eleição, o grupo que fez Diniz de refém apareceu com camisetas do PT. "Se o seqüestro foi praticado por A ou B não nos interessa", ressalvou o deputado. "É um ato criminoso, tem de ser repelido e, se os autores forem estrangeiros, isso só tem agravantes."

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