Para PT, caso Celso Daniel está esclarecido

O líder da quadrilha que seqüestrou e matou o prefeito de Santo André Celso Daniel (PT), Ivan Rodrigues da Silva, o Monstro, teria sido preso pela polícia do Paraná e depois liberado. A denúncia partiu do deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh - destacado pelo PT para acompanhar a investigação do caso - durante entrevista nesta segunda-feira.Greenhalgh obteve a informação de José Édson da Silva, outro integrante do bando, preso na Bahia em 28 de fevereiro. O próprio Monstro lhe teria revelado o acerto. Segundo essa versão, Monstro - também procurado pela Justiça do Paraná -, e Elcyd Oliveira Brito, o John, foram detidos por porte ilegal de arma em Maringá em 31 de janeiro, 11 dias após o assassinato de Daniel. Os bandidos teriam sido soltos após acerto com os policiais, no dia seguinte. "Essa denúncia será apurada. Já mandei verificar", declarou o deputado.Ao saber da denúncia, o delegado-chefe da 9ª Subdivisão de Polícia Civil em Maringá, Maurício de Oliveira Camargo, determinou instauração de sindicância. Numa primeira análise, os nomes apontados pelo deputado não constam dos relatórios de plantão.O delegado disse ter ficado "surpreso" com a denúncia de Greenhalgh, sobretudo porque o Monstro tem mandado de prisão expedido em 1994 pela 4ª Vara de Maringá, por roubo. "Ele já era procurado", disse. Quanto a John, não há mandado na delegacia, e, em 31 de janeiro, quando teriam sido feitas as prisões, seu nome ainda não estava nos noticiários. "Há a possibilidade de as pessoas detidas estarem usando documentos falsos", ponderou Camargo. "Com a sindicância queremos saber o que houve."O PT convocou a entrevista para anunciar que o assassinato de Daniel está totalmente esclarecido. "Foi uma morte inglória, banal e sem motivo", disse Greenhalgh. Além de Monstro e John, a polícia procura os dois homens que tomaram conta da vítima no cativeiro, em Juquitiba. Eles são conhecidos como Fabinho, um menor sobrinho da mulher de Itamar Messias da Silva Santos - também preso na Bahia, - e Baianinho.Na entrevista, Greenhalgh deu detalhes da ação dos bandidos. A primeira ordem dos líderes da quadrilha quando souberam da identidade da vítima teria sido a de dispensar Daniel. "Solta, solta! O cara é uma bomba." Mas L.S.N., de 17 anos, matou Daniel, obedecendo a ordens de Édson. "Vai lá e só dá na cabeça", disse o criminoso, de acordo com Greenhalgh.O prefeito de Santo André, João Avamileno, criticou a parte inicial das investigações, qualificando-as de "irresponsáveis". Ele deve processar o Estado por danos morais. "Vamos conversar com a família do Celso para decidir como vamos mover o processo."O painel instalado na prefeitura para a contagem dos dias sem solução do crime permanecerá no local até a prisão dos foragidos. Só os dizeres foram alterados.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.