Para Sampaio, Biscaia quer impedir que CPI prejudique Lula

A determinação do presidente da CPI dos Sanguessugas, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), de manter lacrados até segunda-feira, 30, no cofre da comissão dados sobre a quebra do sigilo telefônico dos envolvidos na compra do dossiê contra tucanos foi apontada nesta sexta, 27, pelo sub-relator de Sistematização, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), como mais uma prova de que Biscaia quer impedir que a investigação comprometa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes da eleição de domingo.Os documentos chegaram à comissão quinta-feira à noite. Foram encaminhados pela Polícia Federal depois dele e do vice-presidente da CPI, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), acusarem a cúpula da instituição de sonegar informações para atender aos interesses do governo.O sub-relator afirmou que, se tivessem acesso aos dados, ele e os técnicos da comissão teriam condições de identificar quem falou o que no período em que a trama do dossiê foi armada. "Tudo isso demonstra que ele (Biscaia) realmente não quer que a verdade venha à luz antes da eleição", criticou.Para o deputado, o procedimento é típico de quem quer favorecer o Palácio do Planalto. "Não é possível impedir que se trabalhe para mostrar ao Brasil a verdade sobre a origem deste dinheiro, Biscaia não tem o direito de fazer de fazer isso com o País", condenou. Procurado pelo Estado, o presidente da CPI não retornou a ligação. Ele tentou se reeleger e não conseguiu, ficando como primeiro suplente da bancada do PT.Segundo Carlos Sampaio, Antonio Carlos Biscaia "era um no primeiro turno da eleição, mas passou a ser outro agora". "No primeiro turno, ele aplaudia o fato de eu trabalhar sábado e domingo para apurar o nome dos parlamentares envolvidos no esquema sanguessuga", contou. "No segundo turno, ele critica quando quero descobrir quem são as pessoas do governo envolvidas no escândalo do dossiê."O sub-relator criticou, ainda, a insistência de Biscaia em afirmar que a oposição quer partidarizar as investigações. "Ele confunde minha vontade de trabalhar com partidarização e não se dá conta que partidarização é o fato dele comparecer à comissão", afirmou. "Ele vem na segunda-feira e volta na terça-feira e, agora que nós temos provas, adota uma conduta atípica, impedindo o acesso aos documentos."Depois de anunciar que entraria com um mandado de segurança contra o delegado responsável pelas investigações da compra do dossiê, Diógenes Curado, o deputado Jungmann recuou depois da chegada dos documentos. Ele lembrou que foi necessário pressionar o delegado para que a CPI tivesse acesso aos dados. Além das escutas telefônicas, Jungmann disse que a comissão também recebeu as imagens feitas pelas câmaras de segurança do hotel, onde o dossiê seria negociado.

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