Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

Para Sarney, ministros têm de explicar ''aloprados''

Ele sugere ida ao Congresso de Ideli Salvatti e Mercadante; petista fala hoje em comissão

Rosa Costa e Andréa Jubé / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2011 | 00h00

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), sugeriu ontem aos ministros da Ciência Tecnologia, Aloizio Mercadante, e das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, que prestem esclarecimentos sobre a denúncia de envolvimento no escândalo dos aloprados. Ele alega que esse procedimento deve partir de todos que forem alvo de acusações.

Os ex-senadores e atuais ministros são acusados de envolvimento no esquema de forjar um dossiê falso contra José Serra, principal adversário de Mercadante na disputa de 2006 ao governo de São Paulo. O ministro é esperado hoje em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e sua fala deve nortear os caminhos que a oposição tomará em relação ao caso. A oposição vai aguardar os esclarecimentos do ministro para decidir se pedirá também a convocação de Ideli Salvatti.

Ontem, ao participar de evento em São Paulo, Mercadante afirmou ser "inaceitável" a tentativa de envolver Ideli no caso

"Acho que a melhor fórmula é cada um se explicar naquilo que for acusado", disse Sarney. Ele reforçou sua sugestão ao destacar que "não deve haver restrição de nenhuma maneira para que a pessoa possa explicar". "Se agiu corretamente, não há por que deixar de fornecer as explicações que o Congresso pede."

Mercadante confirmou presença na comissão - atendendo a convite para falar da importância da inovação como garantia da competitividade da economia - antes de a revista Veja revelar o depoimento do bancário Expedito Veloso acusando-o de ser o mentor do caso dos aloprados.

Já Ideli, segundo a revista, aparece na documentação da PF como participante de uma reunião com outros envolvidos no esquema. O PMDB evidencia que dará um tratamento diferenciado aos dois ministros. O partido deixa claro que nada fará em favor de Mercadante, dando sequência ao relacionamento tenso que sempre houve entre ele e a maior bancada de apoio ao governo.

O líder do partido, Renan Calheiros (AL), se limitou a lembrar que Mercadante "não é mais senador", quando perguntado se ele vai usufruir do mesmo tratamento dado este ano ao então ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci.

Boa parte da bancada não tem boas lembranças da convivência com ele, sobretudo quando se indispôs contra a candidatura de Sarney para a presidência e se omitiu nas crises contra Renan. O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), acredita que o resultado da presença do ministro no Senado "vai depender da oposição". Quanto a Ideli, Jucá disse que estará de prontidão para defendê-la e vê "jogo requentado" na tentativa de convocá-la.

O líder do PSDB, Álvaro Dias (PR), afirma que a oposição reagirá de acordo com a estratégia adotada pelo ministro. "Se ele tentar esvaziar os procedimentos que estão em curso na Câmara, iremos reiterar os pedidos no Senado", avisa. Já se ele não falar nos aloprados, o líder disse que não vai tomar a iniciativa.

O ministro voltou a negar ontem envolvimento com a suposta compra do dossiê. Segundo ele, o caso foi motivo de investigação em uma CPI que ouviu 28 pessoas e seu nome não consta do relatório final. Ele lembrou que a Procuradoria-Geral da República também investigou o caso e pediu ao Supremo a anulação do processo.

Mercadante afirmou que Expedito Veloso nunca foi seu assessor e que só o encontrou uma vez na vida. Disse ainda que a informação não é nova porque circulou cinco anos atrás, na época da CPI. "Foi desprezada porque não teve nenhum elo que demonstrasse qualquer tipo de relacionamento (com o episódio)".

Em nota, Ideli negou participação no episódio e classificou como "falácia" a "tentativa" de associá-la ao grupo dos aloprados, conforme reportagem de Veja. "Não participei de reuniões que tivessem como tema a elaboração de material." / COLABOROU FERNANDO GALLO

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