Para se defender, Palocci cita atuação de tucanos

Em e-mail enviado a líderes do Congresso, ministro relembra atividades exercidas por Malan, Pérsio Arida, entre outros, após deixarem o governo

Eduardo Bresciani / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2011 | 00h00

Para justificar o enriquecimento súbito, o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, enviou e-mail para líderes do Congresso com exemplos de ex-ministros e ex-presidentes do Banco Central dos governos tucano e petista que multiplicaram seus patrimônios depois de passagens pelo alto escalão do poder.

Na berlinda por ter aumentado seu patrimônio em 20 vezes, entre 2006 e 2010, e comprado um apartamento de R$ 6,6 milhões em São Paulo, Palocci defendeu a tese de que é natural uma pessoa enriquecer após deixar o governo. Ele foi ministro da Fazenda de Luiz Inácio Lula da Silva até março de 2006.

"No mercado de capitais e em outros setores, a passagem por Ministério da Fazenda, BNDES ou Banco Central proporciona uma experiência única, que dá enorme valor a estes profissionais no mercado", diz o e-mail.

O texto destaca que não há vedação legal para que parlamentares exerçam atividade empresarial e cita que um levantamento teria mostrado o enquadramento de 273 deputados federais e senadores nessa situação. Palocci foi eleito deputado para o mandato de 2007 a 2010.

Exemplos. O e-mail cita Pérsio Arida, André Lara Rezende, Pedro Malan e Mailson da Nóbrega como exemplos de ex-ministros e ex-presidentes do BC que "em poucos anos" se tornaram banqueiros, diretores de instituição financeira ou consultores. O e-mail da Casa Civil destaca que "muitos ministros importantes" foram da iniciativa privada para o governo, citando Alcides Tápias, Armínio Fraga e Henrique Meirelles. A intenção é enquadrar Palocci nos dois perfis.

A mensagem afirma que o patrimônio auferido pela empresa de Palocci é compatível com a receita de seus negócios e que a mudança de objeto - de consultoria para administração de imóveis - foi feita por orientação da Comissão de Ética Pública. A mensagem diz que a comissão "descartou qualquer irregularidade", apesar de o órgão só ter decidido que não analisaria o caso.

Explicações

CASA CIVIL

MENSAGEM A LÍDERES DO SENADO

"No mercado de capitais e em outros setores, a passagem por Ministério da Fazenda, BNDES ou Banco Central proporciona uma experiência única que dá enorme valor a estes profissionais no mercado. Não por outra razão, muitos se tornaram em poucos anos banqueiros, como os ex-presidentes do Bacen e do BNDES Pérsio Arida e André Lara Rezende, diretores de instituições financeiras, como o ex-ministro Pedro Malan, ou consultores de prestígio, como o ex-ministro Mailson da Nóbrega"

"A empresa Projeto prestou serviços para clientes da iniciativa privada, tendo recolhido sobre a remuneração todos os tributos devidos"

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