Para secretário de Justiça do Rio, MP teria motivação política

O secretário de Justiça do Estado, Paulo Saboya, acusou nesta sexta-feira o Ministério Público Estadual (MPE) de ter ?interesse político? na divulgação ?em capítulos? de ligações telefônicas interceptadas do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, preso em Bangu 1. Nesta sexta-feira, o MPE divulgou uma gravação em que Beira-Mar planeja e comanda a execução de dois cúmplices pelo telefone e o procurador-geral de Justiça, José Muiños Piñeiro Filho, defendeu a intervenção das Forças Armadas no sistema penitenciário do Estado.Nesta sexta-feira foi a vez do presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Marcus Faver, dizer que a medida sugerida pelo MPE ?merece atenção?. ?Sou absolutamente contra uma intervenção. O sistema não está fora de controle e não é função das Forças Armadas tomar conta de prisão. Isso é algo despropositado?, afirmou Saboya. ?A divulgação de fitas emcapítulos, de acordo com a conveniência, tem ingrediente político.Estamos em véspera de eleição, isso é movimento eleitoral?, acusou. A conversa divulgada pelo MPE foi gravada no dia 27 de julho, portanto antes da operação realizada em Bangu pela secretaria, no dia 5 de agosto, em que foram apreendidos 114 celulares. O secretário admite que é ?praticamente impossível? impedir totalmente a entrada de telefones, mas afirma que houve redução do uso de aparelhos a partir da operação de agosto ? ele alega que em novasvistorias não foram encontrados celulares. Segundo Saboya, o MPE pretende desestabilizar o governo estadual com a divulgação ?em capítulos? de conversas ?antigas? entre criminosos. No dia 14 de junho, o MPE divulgara gravações em que um membro da quadrilha de Beira-Mar negociava a compra de um míssel Stinger e combinava o assassinato de inimigos do traficante, o que motivou uma operação de busca e apreensãono presídio feita por promotores. Piñeiro Filho argumenta que agravação feita do dia 27 de julho, divulgada ontem, demonstra que mesmo após a substituição de agentes e da direção do presídio, ocorrida em conseqüência das ações do dia 14, criminosos continuavam a usar celulares impunemente no interior do presídio. O procurador-geral argumenta que o tempo de 40 dias entre a interceptação e a divulgação das conversas deve-se ao fato de haver mais de mil horas de gravação. Segundo ele, os promotores têm de ouvir tudo e decodificar as conversas, o que provocaria a demora. Piñeiro Filho voltou a defender a intervenção das Forças Armadas, caso outras medidas como a instalação de bloqueadores de sinal de celular não dêem resultado ? de acordo com a secretaria, a instalação está prevista para outubro. Ele não comentou as acusações de Saboya. Faver disse que ?talvez seja uma oportunidade em que as Forças Armadas poderiam colaborar e justificar um investimento maior emrecursos para que elas pudessem exercer essa fiscalização?. Osecretário da Segurança Pública, Roberto Aguiar, rejeita a intervenção das Formas Armadas em Bangu. Segundo ele, nenhuma força federal é treinada para cuidar de presos.FórumBeira-Mar compareceu nesta sexta-feira ao Fórum de Bangu, na zona oeste do Rio, para acompanhar os depoimentos de sete testemunhas de acusação em um dos processos que apuram o uso ilegal de telefones celulares no presídio Bangu 1. A polícia montou um esquema de segurança que contou com dois helicópteros, cerca de 300 homens e 12 carros do Departamento do Sistema Penitenciário. O traficante chegou ao Fórum por volta das 12h30. Até as 18h, os depoimentos ainda não haviam terminado.Beira-Mar e outros três acusados no processo (Marcos Tavares, oMarquinhos Niterói, Hélio Macedo Rodrigues, ex-advogado de Beira-Mar, e Marcos dos Santos, o Chapolin) acompanharam o depoimento das sete testemunhas. O atual advogado de Beira-Mar, Lídio da Hora Santos, negou uma das acusações que pesam sobre o seu cliente e foi tema dos depoimentos de ontem. Nesse processo, o traficante é acusado de crime de extorsão contra um fazendeiro do Mato Grosso do Sul. A suposta extorsão teria sido encomendada por Beira-Mar a seu então advogadoHélio Rodrigues. A base da acusação são as fitas gravadas com conversas telefônicas entre o traficante, seu ex-advogado e outros participantes do grupo de Beira-Mar.

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