Para Serra, ação do PT é ''factoide''

Pré-candidato do PSDB afirma que adversários querem desviar atenção sobre dossiê ao afirmarem que vão interpelá-lo judicialmente

Evandro Fadel e Adelson Barbosa, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2010 | 00h00

O pré-candidato do PSDB, José Serra, disse ontem em Campina Grande (PB) que o PT tenta criar um "factoide" ao anunciar que vai interpelá-lo judicialmente, em razão das declarações de que a pré-candidata Dilma Rousseff (PT) tem responsabilidade no suposto dossiê com denúncias contra ele.

"Isso é factoide para enganar a imprensa", declarou Serra em entrevista à rádio 98 FM. Segundo ele, quem tem que de se explicar é o PT e a ex-ministra. Serra afirmou que o PT "tem tradição nessa matéria" de criar dossiê. "Foi descoberto um esquema de dossiê fajuto e difamante da parte deles", disse o tucano, para quem não é a primeira vez que o PT cria dossiê contra ele.

"Você lembra que isso ocorreu em 2006? Lembra do dossiê dos aloprados. Era contra mim, que era candidato a governador", disse Serra, acrescentando que os responsáveis pelo dossiê dos aloprados foram presos. "Eles (os petistas) é que têm de explicar o que está acontecendo e não os outros, são vítimas."

Serra foi recebido em Campina Grande por três políticos considerados ficha suja: o ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB), cassado por compra de votos; o ex-governador e pai de Cássio, Ronaldo Cunha Lima (PSDB), acusado de tentar matar o ex-governador Tarcísio Burity em 1993 com três tiros; e o senador Efraim Morais (DEM), acusado de manter servidores fantasmas em seu gabinete. Efraim está sendo investigado pela PF.

Do aeroporto, Serra seguiu para entrevistas a duas emissoras de rádio. Na rádio do Sistema Correio, dançou forró com a jornalista Verônica Guerra, ao som da música "Chiclete com banana", do paraibano Jackson do Pandeiro. Em tom, de brincadeira, falou de futebol e de música.

Serra voltou a prometer que, se eleito, vai criar uma bolsa complementar ao Bolsa-Família, para incentivar adolescentes matriculados em escolas profissionalizantes. Disse que outra prioridade será o Programa de Saúde na Família. Afirmou que pretende exigir dos laboratórios farmacêuticos parceria que contemple os médicos do Programa de Saúde da Família (PSF) em todo o País.

Curitiba. Em entrevista à Rede Independência de Comunicação, afiliada da Rede Record no Paraná, Serra disse que não adotará estilo agressivo durante a campanha eleitoral e negou que tivesse havido qualquer cobrança ou reunião do partido para pedir-lhe isso. "Eu tenho o meu estilo, sou do jeito que eu sou."

As críticas mais pesadas ao governo federal vieram quando o ex-governador paulista comentou a carga tributária. "Realmente é um exagero, prejudica a atividade, o emprego, a produção."

Serra evitou falar muito sobre a política paranaense, onde há indefinição em relação ao posicionamento do senador Osmar Dias (PDT), assediado pelo PSDB, que lhe ofereceu a possibilidade de ser candidato à reeleição ao Senado, e pelo PT.

"Eu tenho visão, conversei, estou por dentro, mas se eu falo alguma coisa dá confusão", ponderou. "Como se dizia antigamente: sapo de fora não chia."

Declarando-se amigo de Richa e de Osmar, e de ter boas relações com o ex-governador Roberto Requião (PMDB), salientou esperar uma "boa solução para efeito de pregação nacional". Ao final, Serra alertou: "Até a semana que vem se resolve tudo isso."

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