Para Serra, Casa Civil virou 'foco de escândalos'

Em sabatina na OAB, tucano volta a criticar candidata do PT e diz que 'na democracia nem sempre se elege o bom'

Christiane Samarco, Eugênia Lopes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2010 | 00h00

Com familiares e aliados alvo de violação de sigilo na Receita Federal e diante do escândalo de lobby envolvendo a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, o presidenciável tucano José Serra aproveitou a sabatina promovida pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ontem, em Brasília, para investir contra a adversária petista Dilma Rousseff e o governo Lula.

Em vez de abrir sua fala tratando do tema do encontro - a reforma política - o tucano preferiu ressaltar o papel da OAB na defesa do Estado de Direito e das instituições para introduzir a questão da quebra do sigilo de tucanos e familiares dele. "Tanto a direção quanto a corregedoria da Receita têm, sistematicamente, mentido ou se omitido."

Questionado sobre a nova denúncia de tráfico de influência envolvendo Erenice Guerra, o tucano disse: "Este ministério virou foco de escândalos."

Depois de admitir que "na democracia não necessariamente se elege o bom; às vezes se elege o ruim", Serra propôs aos conselheiros da Ordem uma aliança pós-eleição. "Em função do fortalecimento da democracia, dos direitos individuais, do respeito ao cidadão e da igualdade de todos diante da lei", explicou.

O tucano destacou que advogados não podem ser submetidos a pressões, quebras de sigilo e intimidação. Se eleito. fará "um governo transparente, que defenda o direito dos cidadãos, não admita a impunidade e não permita o lobby instalado em vários ministérios para arrecadar dinheiro de corrupção".

Na véspera da sabatina, Dilma havia acusado o tucano de fazer "jogo eleitoral" com a quebra dos sigilos da filha e do genro. "Isto é a criminalização da vítima", rebateu ele à plateia, sugerindo que a estratégia de defesa da petista merece ser analisada pelos advogados.

"Quem sofreu o atentado passa a ser o culpado e o responsável, a vítima", disse Serra ao se queixar do que considera tentativa de manipulação da opinião pública. "Se essas pessoas fazem isto na campanha, imagine o que fariam detendo o poder federal."

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