Para Serra, julgamentos são ''prematuros''

Governador considera que investigação do caso é prioridade

Daniela do Canto e Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

19 Outubro 2008 | 01h00

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), esteve no Centro Hospitalar Municipal de Santo André, por volta das 2 horas de ontem. Ele foi prestar solidariedade às famílias de Eloá e Nayara, que permaneciam internadas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O governador, que ficou 45 minutos no local, afirmou que "a investigação do caso é prioridade para o governo". "Fiquei acompanhando muito angustiado esse fato, principalmente ontem (sexta-feira), porque tudo a um certo momento parecia que ia se resolver, mas de repente houve essa inversão", afirmou. De acordo com Serra, há diversas provas - incluindo gravações de todas as conversas telefônicas entre a polícia e Lindembergue - que devem ser organizadas e investigadas, para fazer a reconstituição do crime. Ele não comentou o fato de o governo do Estado ter anunciado na sexta-feira que Eloá havia morrido, se desculpando depois pelo erro. A justificativa é de que ela teria sido reanimada na sala de cirurgia - fato negado pelos médicos. Serra disse que o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) invadiu o apartamento depois que os policiais ouviram um disparo e um grito. "O Gate tem uma experiência longa, muito positiva, em ações muito delicadas que exigem perícia, paciência e coragem. Por isso, atuou conforme seus procedimentos." De acordo com o governador, "a Polícia Militar disse que não usou balas de verdade". "Só houve um disparo de borracha e os cartuchos encontrados são da arma do Lindembergue." CATIVEIRO Sobre a volta da garota Nayara, de 15 anos, ao cativeiro no CDHU do Jardim Santo André, após 33 horas de liberdade, o governador paulista deixou as explicações a cargo do comandante do Comando de Policiamento de Choque, coronel José Eduardo Félix de Oliveira. "A explicação é a que ele deu. Evidentemente na hora em que ela (Nayara) tiver condições vai poder complementar esses esclarecimentos." O governador conversou com Nayara no hospital, mas ela se disse confusa a respeito do que aconteceu nos minutos que antecederam o desfecho do caso. Serra ressaltou que quaisquer julgamentos, no momento, "são prematuros".

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