Para serristas, pesquisa facilita ajustes

Secretário-geral do PSDB diz que desafio é aproveitar esse ''fato novo positivo'' para mobilizar palanques estaduais e engajar simpatizantes

Christiane Samarco, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2010 | 00h00

Tucanos e aliados receberam o empate técnico entre José Serra e Dilma Rousseff , registrado pelo Datafolha, como endosso à pré-campanha do candidato do PSDB, no que se refere à comunicação no programa e comerciais do partido na TV. Serviu para "respirar", dizem tucanos, aliviados com a leve vantagem, dentro da margem de erro, sobre a petista.

Ao mesmo tempo, porém, avaliam nos bastidores que é hora de fazer ajuste definitivo na campanha, "que está muito fechada", para envolver os Estados e tirar a militância do imobilismo, sob pena de desandar a candidatura Serra. Afinal, admitem, como a trajetória ascendente de Dilma se manteve (oscilando um ponto para cima), o clima continua desfavorável a Serra.

Otimista, deputado Jutahy Júnior (DEM-BA) entende que a expectativa de vitória registrada pela pesquisa induz à unidade e à mobilização. Festeja, sobretudo, o "acerto da publicidade que produziu o crescimento de cinco pontos porcentuais, competindo com a "mais despudorada" campanha governamental.

"Estamos enfrentando a maior orgia publicitária, em que o governo usa sua estrutura, o dinheiro do contribuinte e dos acionistas das estatais, para fazer campanha para o PT", ataca Jutahy, que integra o grupo de conselheiros de Serra.

O secretário-geral do PSDB, deputado Rodrigo de Castro (MG), adverte, no entanto, que o desafio é aproveitar esse "fato novo positivo da pesquisa" para mobilizar palanques estaduais e engajar simpatizantes de Serra na campanha. "A chance é agora. Se não fizermos uma coisa diferente, perdemos a oportunidade."

Expectativa. O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), destaca que o único ponto negativo da pesquisa refere-se à expectativa do eleitorado. Segundo o Datafolha, apenas 33% acreditam que Serra será eleito presidente, enquanto 39% declararam voto para o tucano na disputa presidencial. A expectativa de vitória da presidenciável do PT é bem maior: 43% apostam que Dilma ganhará a eleição.

"Isso mostra que a campanha dela está mais mobilizada que a nossa e que a candidata petista está passando a impressão de que é favorita", afirma Maia. Ele lembra que, há cerca de dez dias, o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), anunciou a criação de um conselho político da campanha, constituído pelos presidentes dos partidos aliados - PSDB, DEM, PPS e PTB , além do senador Tasso Jereissati (CE), do ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen (SC) e do ex-governador Aécio Neves (MG).

"Se esse conselho for efetivado na próxima semana, será um bom começo para marcar a abertura oficial da campanha, no dia 5", sugere Maia. "Quanto mais tivermos oportunidade de debater os rumos, maior será nossa capacidade de mobilizar as lideranças e as bases nos Estados."

Estresse. Apesar do atropelo na escolha do vice na chapa presidencial da oposição, Jutahy diz que é hora de olhar para frente. "A escolha está feita e o deputado Índio da Costa (DEM-RJ) é uma força nova e jovem, de um Estado importante, que vai ajudar muito na campanha."

O tucanato avalia que o episódio gerou estresse na oposição, mas não no eleitorado. Também diz que o dado positivo da crise é que Serra se articulou, conversou muito e ouviu muita gente.

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