Para sobreviver, sigla tem de fazer oposição ao governo Dilma

Na cadeia alimentar da política, o DEM é uma espécie de animal sem dentes que se alimentou das conquistas do PSDB. E foi bom enquanto durou. As três derrotas do tucanato nas disputas pelo Palácio do Planalto fizeram minguar o fluxo de nutrientes políticos - cargos e orçamentos - do PSDB para o DEM.

Luiz Alberto Weber, O Estado de S.Paulo

15 Novembro 2010 | 00h00

O resultado foi o definhamento do partido. Em 1998, o PFL, versão original do DEM, elegeu 105 deputados, tornando-se, na ocasião, a maior legenda da Câmara dos Deputados. Linha auxiliar do governo Fernando Henrique, comandava parte da Esplanada. Na primeira eleição de Lula, em 2002, o PFL elegeu 84 deputados.

Quatro anos depois, apesar do escândalo do mensalão e do desgaste do governo, levou para o Congresso apenas 65 deputados, tornando-se a quarta bancada. Na próxima legislatura, o DEM, sucedâneo do PFL, terá apenas 43 deputados e seis senadores (contra 13 neste ano), números de um partido nanico.

A eleição de dois governadores em Estados de baixa densidade política e protagonismo econômico - Rio Grande do Norte e Santa Catarina - não compensa o desastre parlamentar nem fornece fôlego à legenda. Para sobreviver, o DEM terá que evoluir; caso contrário, será absorvido pela máquina governista. O assédio do PMDB é um sintoma dessa fraqueza.

O DEM possui no seu cromossomo informações para fazer reviver o partido. Basta, para isso, fazer oposição ao governo Dilma Rousseff, ser claro na defesa de pontos que foram abandonados pelos partidos, intimidados com o filo-estatismo aparente do brasileiro.

Rejeitada pela biologia, a lei do uso e do desuso como explicação para a evolução das espécies, adequa-se bem aos partidos. Siglas de oposição só se fortalecem se fizerem oposição. Sem esse exercício diário, atrofiam-se e aí surgem as propostas de mudanças de nome, de absorção por outras legendas, de refundação...

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