Para sociólogo, falta de posição de Alckmin inibiu eleitor

O professor e sociólogo do Ibmec, Carlos Alberto de Melo, afirmou neste domingo que o candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, foi derrotado por falta de coragem de assumir posição sobre temas como privatizações, corte de gastos e política econômica, entre outros assuntos. Segundo ele, sem referências anteriores e maior experiência política, Alckmin foi, aos poucos, transformando-se numa caixa-preta. "Ninguém sabia o que ele iria fazer se eleito. A primeira declaração de um dos elaboradores de seu programa de governo, o economista Yoshiaki Nakano, foi desqualificada e desmentida. "Se Nakano não podia falar sobre o assunto, quem falaria", questionou. "Além disso, o que ele tinha para mostrar? As obras em São Paulo? Isso é suficiente para governar um Estado. No governo federal, é necessário mostrar sua política social e visão política do mundo, e isso não apareceu", explicou.Candidato muito frágilPara o professor, não é possível afirmar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva era um candidato imbatível, pois, nesse caso, ele seria reeleito em primeiro turno com 70% dos votos válidos. "Dessa avaliação, poderia se tirar que Alckmin teve um desempenho excelente na campanha eleitoral. Lula é forte e tem penetração social, mas dentro do quadro de desgaste pelo qual seu governo passava, é possível dizer que Alckmin teve uma performance muito fraca e se mostrou um candidato muito frágil", afirmou. Na avaliação de Melo, não foi Alckmin quem levou as eleições para o segundo turno. "Foi o dossiê, a lambança dos ´aloprados´, a foto do dinheiro apreendido e o erro estratégico de Lula ao faltar aos debates no primeiro turno, que no final não se mostraram nenhum bicho-de-sete-cabeças, considerou. Segundo o professor, nos debates, Alckmin não se qualificou como uma alternativa. "E não é porque era desconhecido dos eleitores, mas porque foi desconsiderado. Ele jogou todas as cartas no discurso ético. E não se preparou para disputar o segundo turno. Basta ver a campanha do presidente Lula, com seu jingle ´deixa o homem trabalhar´, para ver quem estava preparado para essa situação", declarou.O professor disse ainda que Alckmin não dialogou com os pobres, mas somente com a classe média. "O voto pelos R$ 70 do Bolsa Família é racional, de acordo com os interesses dessa classe. A classe média não percebe isso, mas para muitas pessoas R$ 70 faz uma diferença danada. Ele deixou de conversar com esse público", disse.

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