Para Tarso, Alckmin quer tirar proveito de escândalo das sanguessugas

O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, disse nesta sexta-feira que o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, está "querendo tirar proveito político" do escândalo de compra de ambulâncias superfaturadas que veio à tona com a Operação Sanguessuga."Ele (Alckmin) está querendo tirar proveito desse esquema quadrilheiro que existe desde o governo anterior (Fernando Henrique Cardoso) e com o qual ele está comprometido e defende", afirmou o ministro.A declaração de Tarso foi em resposta às afirmações feitas ontem à noite por Alckmin em São Paulo. Depois de participar do Jornal da Band, da TV Bandeirantes, o presidenciável tucano afirmou que o problema de corrupção "vem desde o começo do governo Lula" e prosseguiu: "Toda hora você tem um escândalo em local diferente. Parece que cada gaveta do governo federal que você abre você encontra um desvio de conduta".Sobre o suposto envolvimento do deputado João Almeida (PSDB-BA) no esquema das sanguessugas - Alckmin defendia a indicação do parlamentar para a liderança do PSDB na Câmara - , o ex-governador observou que "quem não deve não teme", e defendeu investigação para todos os envolvidos.Na quinta-feira, o presidente da CPI dos Sanguessugas, deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), anunciou que pretendia incluir quatro deputados na lista de suspeitos a serem investigados de participar do esquema e o nome de Almeida era um deles, seguido de Aroldo Cedraz (PFL-BA), Arolde de Oliveira (PFL-RJ), e Márcio Reinaldo Moreira (PP-MG). O relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) com os novos nomes gerou um racha na CPI dos Sanguessugas.A declaração provocou a imediata reação de outros parlamentares da comissão, que viram na decisão uma jogada política do governo para tentar atingir nomes da oposição. Nesta sexta-feira, o sub-relator de sistematização da CPI, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), afirmou que a comissão decidiu não notificar os novos quatro parlamentares. Segundo Sampaio, os parlamentares foram citados apenas porque haviam apresentado emendas ao Orçamento da União para a compra de ambulâncias. Nenhum dos quatro nomes foi citado no depoimento de Luiz Antoni Vedoin, sócio da Planam, empresa que operava as fraudes. A comissão de inquérito notificou até agora 90 parlamentares - 87 deputados e 3 senadores.

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