Natália Russo/AE
Natália Russo/AE

Para tracers, Parkour não é esporte, é filosofia

Professor de Parkour afirmou que modalidade é um novo jeito de significar a cidade

Ricardo Chapola, O Estado de S. Paulo

22 de junho de 2011 | 16h56

SÃO PAULO - Você não precisa de nada para ser um tracer - como é chamado o praticante de Parkour. Bola, corda, capacete, joelheira, cotoveleira, isso tudo soa desnecessário para quem respira a filosofia minimalista do Parkour. Bastam a eles alguns obstáculos - espalhados pela cidade na forma de muros, escadas e valetas -, de seu próprio corpo e de mais nada. Daí é só praticar.

Ao contrário do que parece, o Parkour é uma modalidade esportiva muito aberta e convidativa. A impressão de que o esporte seja restrito a um determinado perfil de pessoas - as mais atléticas - é só um estereótipo, resultante, muitas vezes, da grandiosidade de um muro a ser pulado, ou de uma escada a ser superada. "Não existe um perfil. O Parkour proporciona justamente um limite para cada pessoa que o pratica. Sempre será você contra você mesmo e contra os seus limites, seja para subir um muro de 3,5m, seja para subir um degrau em uma cadeira de rodas", afirmou o professor de Parkour, Danilo Alves, sinalizando também que o esporte prega o princípio da inclusão social.

Há 4 anos no esporte, Gabriel Pípolo, que conheceu o Parkour durante visitas ao parque Ibirapuera, aos domingos, reforçou que muitas das causas motrizes da modalidade giram em torno de valores morais e sociais, indo além da simples competição pregada no esporte de maneira geral. "Em nenhum lugar eu tive contato com tantas pessoas diferentes como nos treinos. Há um tracer inglês, por exemplo, que não tem um dos braços, e pratica Parkour mesmo assim", afirmou.

Quase doutrina. Mais do que uma modalidade esportiva não competitiva, o Parkour é incorporado pelos tracers como uma filosofia de vida, um maneira de conhecer a si mesmo, segundo Gabriel Pípolo.

Da mesma forma, o professor Danilo Alves revelou que aplica a lógica de driblar os obstáculos à vida profissional. "Encaixo o Parkour em meu dia a dia não só no aspecto físico da coisa, de saltar os obstáculos da rua, mas tento fazer o mesmo frente aos obstáculos pessoais. Faço de cada problema da vida um novo obstáculo que tem que ser superado", disse.

"Porque, no fundo, essa é a verdadeira filosofia do Parkour: transpor os obstáculos da maneira mais rápida e eficiente possível, não importando quais sejam", completou o professor.

Free running. Se por um lado alguns levam o Parkour como uma técnica de bem-estar, outros não deixam de interpretá-lo como um esporte qualquer, o que o recoloca dentro do círculo das competições. Quando isto ocorre, o esporte ganha o nome de Free Running, compreendida como uma vertente "mercantilizada" do Parkour, na visão do tracer Gabriel Pípolo.

Para quem pratica Parkour, o importante não é a promoção de grandes eventos, mas ter a consciência da essência do esporte. "Parkour é essa coisa de ressignificar a cidade, essa nova possibilidade de se locomover com algo que temos: o corpo, usado como ponte para nascer uma perspectiva totalmente diferente da cidade", concluiu o professor.

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