Para UIA, salvaguardas não ajudam Mercosul

A União Industrial Argentina (UIA) emitiu nesta quinta-feira um duro comunicado contra as atuais negociações sobre o Mercosul que estão sendo realizadas pelos governo do Brasil e da Argentina.A mais recente crise entre os dois países foi causada pelos protestos argentinos sobre a flutuação do real e as divergências cambiais que causa em relação ao peso, que está amarrado ao dólar.Segundo os industriais, o real teria sofrido desvalorização de 71% desde dezembro de 1998 até agora. Tanto o governo como o empresariado acusam a desvalorização do real de prejudicar a competitividade dos produtos argentinos e causar o fechamento de dezenas de indústrias locais.Desde a desvalorização, em diversas ocasiões falou-se em uma ?invasão de produtos brasileiros? na Argentina, fato nunca comprovado. A solução pactada entre o Brasil e a Argentina foi estabelecer salvaguardas comerciais para os setores atingidos.No entanto, a UIA afirma que ?é inadequado resolver a assimetria cambial com um esquema de salvaguardas?. Segundo os industriais argentinos, ?as salvaguardas são medidas específicas destinadas a resolver, de forma transitória, problemas específicos, para compensar ou prevenir o potencial prejuízo de setores atingidos por fortes aumentos das importações?.Para a UIA, as salvaguardas não resolvem os problemas dos produtores argentinos, que exportam para o Brasil. Por este motivo, a União Industrial propôs nesta quinta-feira que o Mercosul estabeleça um sistema de tarifas alfandegárias e reembolsos que ?partindo de um tipo de câmbio de equilíbrio, flutue automaticamenteem relação à variação do real?.Segundo a UIA, sem um sistema ?que automaticamente compense a assimetia cambial no Mercosul, o prejuízo para a indústria será irreversível?. Além disso, poderia causar um aumento ?devastador? no desemprego.O lançamento do comunicado da UIA foi feito com estardalhaço e teve a presença e apoio do líder do bloco da coalizão de governo Aliança UCR-Frepaso, Dario Alessandro; o deputado do oposicionista Partido Peronista Jorge Remes Lenicov e o líder sindical da CGT dissidente Juan Manuel Palacios.O presidente da UIA, Ignacio De Mendiguren, afirmou que o Mercosul ?vai continuar?, mas que é preciso uma solução ?para resolver estas assimetrias cambiais com o Brasil. Estes problemas não podem ser ignorados. Estamos insatisfeitos com estas negociações com o Brasil?.Segundo um estudo da Embaixada do Brasil, a desvalorização do real não é a grande influência no comércio bilateral entre os dois países, como afirma a UIA, mas sim as variações do PIB nos dois países.O estudo indica que a desvalorização real da moeda brasileira foi de 38,8% entre janeiro de 1999 e junho de 2001, e que não impediu a manutenção, pela Argentina, de saldos comerciais ininterruptos e crescentes com o Brasil.O chanceler Adalberto Rodríguez Giavarini declarou nesta quinta-feira que o Mercosul é uma política de Estado para a Argentina, e que é um valor ?absolutamente estratégico e superior?.Giavarini, que fez as declarações durante uma reunião com o Grupo Brasil, associação que reúne mais de 200 empresas brasileiras instaladas na Argentina, também afirmou que ?quanto mais consolidado, mais convergente e mais coordenado o Mercosul for, virão mais investimentos brasileiros para a Argentina, investimentos argentinos para o Brasil e de todo o mundo para esta região?.

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