Para voltar a crescer, tucano vai em busca de aliados regionais

Cenário

Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2010 | 00h00

Aliados do tucano José Serra avaliam que a falta de ligação da campanha presidencial com as candidaturas regionais é uma das principais razões para sua queda em Estados onde ganhava da petista Dilma Rousseff, como São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Mesmo reconhecendo o forte efeito da chamada "onda vermelha" a favor de Dilma, os aliados de Serra acham que seu impacto seria menor se as campanhas estaduais estivessem mais coladas na candidatura nacional.

"Esses dez pontos da queda de Serra podem ser explicados por um método de campanha onde as lideranças regionais e sub-regionais são vistas como parte do comboio e não como locomotivas regionais. Isso não ativa sinergias", diz o ex-prefeito do Rio, César Maia (DEM), aliado de José Serra e que concorre ao Senado.

Maia não é o primeiro a constatar o problema. Desde o início do horário de propaganda eleitoral na televisão e no rádio, Serra desapareceu da maioria das campanhas estaduais.

Dilma, ao contrário, aproveitou o maior tempo disponível no horário eleitoral para exibir seu padrinho político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela também apareceu na maioria dos programas eleitorais de candidatos majoritários do PT ou de outros partidos aliados do governo federal.

De quebra, o próprio Lula passou a intensificar suas visitas ao lado de Dilma em Estados onde o PSDB ia melhor.

A surpreendente virada da petista entre os eleitores de São Paulo, incluindo os da capital (onde a petista também já aparece em primeiro), tem que ser creditada, em grande parte, ao presidente. Ele aumentou sua presença no Estado justamente para tentar enfraquecer a vantagem do PSDB no reduto onde é mais forte.

Até ontem, a campanha de Serra, ao contrário, não tinha apresentado em seu programa imagens de políticos importantes que estão apoiando o tucano. Ontem, diante do novo crescimento de Dilma, exibiu, pela primeira vez, um depoimento do ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves, líder nas pesquisas de intenção de voto para o Senado.

Seus aliados acham que o caminho a seguir é esse. Aparecer o máximo possível ao lado de aliados regionais de peso, como Aécio, Geraldo Alckmin (PSDB-SP), Beto Richa (PSDB-PR), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Rosalba Ciarlini (DEM-RN), Paulo Souto (DEM-BA), entre outros candidatos.

Outra queixa é com a falta de envio de material de campanha para os Estados. Esta semana, o próprio Serra cobrou da coordenação de sua campanha a liberação de recursos para produção e distribuição de propaganda de sua candidatura por todo o País. A ideia é que o problema seja resolvido o mais breve possível.

Na prática, a campanha de Serra se ressente agora da capilaridade vastamente aproveitada por Dilma até agora. Por conta disso, o plano é tentar irrigar ao máximo esses vasos políticos que tinham sido abandonados. O primeiro alvo já está escolhido: São Paulo, através do engajamento dos prefeitos aliados em todo o Estado.

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