Para Ziraldo, 'se é um direito, então está OK'

"Não pedi essa indenização, mas se é um direito meu então está ok", resume o cartunista Ziraldo Alves Pinto, cujo benefício, concedido pela Comissão da Anistia, está na mira do Tribunal de Contas da União (TCU). Ziraldo, 77 anos, conta que partiu do Sindicato dos Jornalistas a iniciativa de pedir indenização por perseguição política em nome de vários de seus colegas, logo após a promulgação da Constituição de 1988.

Marta Salomon, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2010 | 00h00

Na ocasião, a ideia despertou polêmica. O escritor e humorista Millôr Fernandes não a aprovou, retirou seu nome da ação e criticou os pagamentos, com uma frase que se tornou famosa: "Quer dizer que aquilo não era ideologia, era investimento?"

O benefício foi aprovado 19 anos depois. "O relator da Comissão da Anistia só faltou me chamar de herói da pátria, quase um Tiradentes. Eu virei um mártir, fiquei até encabulado", conta Ziraldo, sobre a cerimônia de 2008 na qual foi anunciado o pagamento de R$ 4.375 mensais e um saldo retroativo superior a R$ 1 milhão. Ele questionou o pagamento dos atrasados em parcelas e diz que, até hoje, só recebeu a parte da indenização paga mensalmente.

"O pessoal de jornal que nunca se comprometeu com a luta contra a ditadura fez uma carga terrível contra a gente", conta Ziraldo. "Fecharam todas as publicações que eu fiz, fiquei preso cento e poucos dias, me tiraram dois natais e um carnaval, mas parece que só eu fui indenizado", reclama o cartunista. "A gente achava que estava salvando o País e assumimos todos os riscos".

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