Parada Gay atrai mais de 2 milhões e bate o seu recorde

A Parada do Orgulho GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros) de São Paulo, que teve como ponto de partida, ao meio-dia deste sábado, a Avenida Paulista, e a noite passa pela rua da Consolação, no centro, seguindo para a Praça Roosevelt, mostrou porque é a maior do mundo: reuniu um público de 2,2 milhões de pessoas, segundo a a PM (Polícia Militar).O público é o maior dos dois últimos anos - 1,8 milhão, em 2005; e 1,5 milhão, em 2004 - e só não bateu o recorde dos 3 milhões de fiéis que tomaram conta do cartão-postal da Cidade durante a Marcha para Jesus, na última quinta-feira, embora os organizadores da Parada estimem que havia na multidão 3 milhões de pessoas.Andar pela Avenida Paulista era praticamente impossível. O mar multicolorido de gente que cantava e dançava ao som eletrônico dos 22 trios elétricos saiu do Museu de Arte de São Paulo (Masp) em direção à Praça Roosevelt, passando pela Rua da Consolação. Apesar do empurra-empurra, a PM não registrou até às 20 horas deste sábado ocorrências graves. Apenas furtos de carteiras, celulares e bolsas, de acordo com o tenente-coronel Roberto Letrenta.Quem mais aproveita o grande público é o comércio irregular. Vendendo pipoca e cachorro-quente a R$ 5, os ambulantes esperavam ganhar o ano em um dia. ?Temos que aproveitar?, gritava um deles.Personagens de todos os estilos, com fantasias originais, desfilam pela avenida. As cores do arco-íris concorreram este ano com o verde-amarelo, pela Copa do Mundo. Ao meio-dia, quando a Paulista foi fechada nos dois sentidos, pelo menos três mil pessoas já se concentravam no local para o desfile. Mas foi às 14h10 que a multidão abriu a bandeira de 20 metros de comprimento para dar início ao evento. Choveu papel brilhante e saiu fumaça colorida dos carros.A drag queen Silvetty Montilla comandou o show de abertura e defendeu o tema "Homofobia é crime! Direitos sexuais são direitos humanos". O ator Sergio Mamberti, secretário da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, fez um discurso emocionado. ?Por meio da luta podemos vencer e construir um Brasil mais justo.?Diferente do ano passado, poucas personalidades compareceram ao evento. Nem a ex-prefeita Marta Suplicy (PT) apareceu. Enquanto milhões de pessoas aproveitavam a balada, os moradores da região estavam revoltados. ?Não posso tirar o carro da garagem nem sair a pé. Esses eventos na Paulista são um castigo?, reclamou a advogada Maria Paula Souza, 43 anos. ?Sem falar no barulho e na sujeira?, completou o publicitário Pedro Soares, 30 anos.Por volta das 17h30, moradores do Edifício Maria Júlia, na esquina da Avenida Paulista com a Rua Haddock Lobo, jogavam baldes de água pela janela, em resposta às pessoas que urinavamna calçada.O prefeito Gilberto Kassab (PFL) voltou a afirmar neste sábado que esse será o último ano dos grandes eventos na avenida, com exceção do Réveillon e da Corrida de São Silvestre. Mas, se depender do presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT, Nelson Matias Pereira, o assunto ainda deve gerar polêmica. ?Sairemos em defesa da Paulista. Vamos mostrar para Prefeitura e Promotoria que é o melhor local pela logística e segurança?, justificou.

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