Parada Gay para mulheres, jovens e, sim, heteros

Pesquisa mostra crescimento desse público no evento, nos últimos anos

William Glauber, O Estadao de S.Paulo

09 de junho de 2009 | 00h00

O crescimento do público feminino, jovem e heterossexual na Parada Gay de São Paulo tem se firmado como tendência irreversível. Pesquisa da São Paulo Turismo (SPTuris) mostra aumento de 38% das mulheres entre os eventos de 2005 e 2008. Nesses quatro anos, elas saltaram de 34% para 47% do público estimado de 3,5 milhões. O número de homens caiu de 66% para 53%. Especialistas e autoridades públicas afirmam que essa mudança consolida a parada como um evento de lazer, além da mobilização política.A estudante de Design de Interiores Pamela Borges, de 20 anos, é a fotografia perfeita desse novo público apurado pela SPTuris com base em 1,1 mil entrevistas. "Fui pela primeira vez no ano passado. Vou voltar neste ano, e de peruca." Em 2008, os frequentadores com idades entre 18 e 24 anos corresponderam a 40%, ante os 37% de quatro atrás. Eles buscam diversão. "A parada parece carnaval com show de música eletrônica. Deveria ter uma vez por mês." Ela conta que beijou três rapazes.Pamela não foi sozinha à parada. "Fomos em 12 pessoas. Duas eram lésbicas e três, gays", conta. O número de heterossexuais, como boa parte dos amigos da estudante, tem crescido também. Em 2008, eles representaram 40% do público, contra 33% em 2005. E atrás de diversão correu também o diretor de Marketing Paulo Medina, de 22 anos. No ano passado, ele foi pela primeira vez ao evento. "Acho bom o som, não tem brigas e geralmente a gente ?fica? (com alguma menina)", diz. "Fiquei com várias, umas seis. E vários dos meus amigos também ?pegaram?. O povo vai para ?pegar? geral. Neste ano, vou passar lá de novo."A antropóloga Regina Facchini, autora de Na Trilha do Arco-Íris: do movimento homossexual ao LGBT, explica que, além da diversão, a curiosidade também atrai esses heterossexuais. Ela organizou pesquisas, em 2005 e 2006, para a Associação da Parada do Orgulho Gay e os resultados mostraram que 50% desse público apresenta justificativas lúdicas para o comparecimento ao evento. A fisioterapeuta Fabiola Oliani, de 23 anos, é um exemplo. "Fui a primeira vez no ano passado com meu namorado por curiosidade, só para conhecer, porque diziam que era pacífico e divertido. Não me diverti. Neste ano, não vou voltar."Essas motivações, explica Regina, não reduzem o efeito político da parada na promoção da diversidade e da tolerância. "Mesmo a paquera na parada ou apenas a curiosidade ajuda a derrubar o preconceito. Esses jovens vão para saber como é e saem de lá se sentindo bem, com todas as pessoas. O público é tocado contra o preconceito."O secretário municipal de Participação e Parceria de São Paulo, Ricardo Montoro, diz também que a pesquisa evidencia a saída do armário das mulheres. "Entendo que as mulheres demonstraram a orientação sexual mais recentemente. Os gays foram os primeiros a expressar a liberdade sexual", explica. O secretário também considera a interação entre heterossexuais e homossexuais como um sinal evidente da redução da homofobia. "Há 20 anos essa relação não existia. São Paulo, mais uma vez, demonstra seu pioneirismo ao respeitar a causa, a tolerância, a aceitação e ao promover os direitos humanos."

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