Parada Gay tem tumulto e brigas

Polícia Militar deve sugerir mudanças para o próximo ano

, O Estadao de S.Paulo

15 de junho de 2009 | 00h00

Não adiantou o esquema de "Big Brother" com câmeras nem os 300 seguranças patrimoniais contratados. Mesmo com um número menor de participantes - os organizadores trabalhavam ontem com o número inicial de 3,5 milhões, mas a estatística oficial só será registrada hoje -, a 13ª edição da Parada do Orgulho Gay, na Avenida Paulista, foi marcada ontem por brigas, confusões, empurra-empurra, desmaios e furtos. Apenas em três locais, 120 carteiras foram encontradas.Já a Polícia Militar vai sugerir nesta segunda-feira mudanças para o próximo ano. Segundo o coronel Marcos Chaves, comandante do policiamento na região central, "o grande número de pessoas nos dá a impressão de que a Paulista está pequena para esse evento". Apesar disso, negou que vá sugerir uma transferência. "Isso não cabe à mim, mas à comissão organizadora."Para tentar melhorar a segurança para as próximas edições, o coronel elabora um relatório, solicitando, por exemplo, a diminuição da área reservada embaixo do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Outra recomendação será prolongar as áreas restritas ao estacionamento de veículos para dois quarteirões além da avenida.Ontem, a principal confusão ocorreu às14h30, na frente do Masp, quando o erro de um motorista de ambulância, que pegou a mão errada, causou tumulto. Para dar passagem, as pessoas se deslocaram na direção do museu, se espremendo ao lado das barreiras metálicas que isolavam a área. A dona de casa Inaiara Ramos, de 37 anos, levou a família ao evento e se assustou - espremida na barreira com a filha Patrícia, de 2 meses, pensou no pior. "Sorte que minha filha (a mais velha, de 12 anos) conseguiu pular a barreira e pegou o bebê. Já imaginou o que é estar num lugar calmo, com a filha no colo, e depois tudo começa a apertar? É a primeira e última vez que venho." Minutos depois, a auxiliar de enfermagem Érica Rocha, de 28 anos, ergueu o carrinho de bebê, com a filha Beatriz, de 1 ano e 2 meses, nos braços e o passou por cima da grade - desesperada. Até as 16 horas, foram registradas 60 ocorrências médicas, a maior parte envolvendo jovens de 16 ou 17 anos, por consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Segundo a Guarda Civil Metropolitana, que montou operação especial com 350 homens para coibir a venda, o total de garrafas apreendidas lotou dez caçambas. Ainda assim era possível encontrar, facilmente, em meio à multidão, cerveja a R$ 1,50 e garrafas plásticas de vinho, a R$ 5 o litro. Havia ao menos um policial em cada esquina, mas não houve como eliminar o problema. "Teremos de mudar algo", admitiu o inspetor Nilzo de Oliveira Filho, comandante de operação da Guarda Civil na Paulista. Ao longo de toda a tarde, também foi comum encontrar pessoas alcoolizadas - ou mesmo desmaiadas - pelos canteiros.Segundo os organizadores, mesmo sem um balanço fechado, também foi possível verificar aumento no número de brigas durante a Parada. A maior briga ocorreu também perto do Masp e envolveu cinco pessoas. Ao menos três foram esfaqueadas e encaminhadas para a Santa Casa.Na dispersão, alguns participantes continuaram a festa na Avenida Dr. Vieira de Carvalho, em Santa Cecília, por volta das 22h. Incomodado com o barulho, um morador jogou uma bomba caseira sobre o grupo. Segundo a Polícia Militar, 30 pessoas ficaram feridas. No 4º DP, a maioria dos boletins de ocorrência registrados era de furtos de carteiras, celulares e câmeras digitais. Já o comerciante Fernando Tabatino, de 30 anos, foi atacado no meio da Avenida Paulista. "Um grupo de quatro pessoas me cercou, encostou o revólver na minha barriga e pediu a carteira." MONICA CARDOSO, VITOR HUGO BRANDALISE, RODRIGO BRANCATELLI, FELIPE ODA, LUISA ALCALDE e NAIANA OSCAR

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