Paraenses protestam contra abuso sexual de jovens

A cidade de Altamira, no sudoeste do Pará, parou nesta quinta-feira, dia 30, para protestar contra o abuso sexual de adolescentes pobres do município violentadas por dez empresários, comerciantes e um vereador. A justiça já decretou a prisão preventiva dos acusados, mas eles continuam foragidos. Duas mil pessoas, em passeata, percorreram as ruas até o prédio da Câmara Municipal, cercado pela polícia para evitar uma possível invasão.Os manifestantes cobraram empenho da polícia e rapidez no processo contra os acusados, pessoas de grande poder econômico e político na região. Uma carta foi entregue aos representantes dos poderes legislativo, executivo e judiciário, repudiando as orgias sexuais que eram realizadas em motéis e chácaras pelos acusados com adolescentes de idades entre 12 e 17 anos. O vereador Renato Martins, primeiro a fugir de Altamira depois de renunciar ao mandato e ter a prisão decretada pela justiça, comandava as orgias, abordando os jovens na porta de escolas. Com faixas e cartazes pedindo para que os crimes de atentado violento ao pudor e exploração sexual de menores não fiquem impunes, líderes do movimento também cobraram da polícia uma investigação séria sobre a morte, ocorrida há 40 dias, de uma garota de 13 anos. O caso está parado sem nenhuma explicação da polícia. A menina foi estuprada e morta por asfixia. Entre 1989 e 1993, treze crianças foram seqüestradas, torturadas e mortas em Altamira. Dois médicos e o filho de um empresário da cidade, além de um ex-policial militar foram condenados pela justiça do Pará em 2004. A vidente Valentina de Andrade, que seria a líder do grupo, foi absolvida no mesmo julgamento, mas a justiça anulou a sentença. Ela será submetida a novo julgamento em data ainda não definida.

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