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Paraguai prende 9 chefes de polícia por facilitar tráfico para o Brasil

Investigados lideravam o Narcosul, consórcio de venda de drogas no continente; agentes de segurança protegiam membros do PCC e do Comando Vermelho

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2019 | 21h06

Uma operação do Ministério Público paraguaio prendeu, nesta terça-feira, 24, nove chefes de polícia suspeitos de receber propina para acobertar o tráfico e facilitar o transporte da cocaína distribuída no Brasil e em outros países. Os investigados lideravam o chamado ‘Narcosul’, um consórcio do tráfico de drogas que opera no continente. Os carregamentos de cocaína chegavam da Bolívia, Peru e Colômbia em aeronaves e, do território paraguaio, seguiam por terra principalmente para Brasil e Argentina.

A Operação Dignidade, com apoio da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) e agentes da Polícia Nacional, prendeu policiais que chefiavam departamentos em cidades na região de fronteira com o Brasil, em Mato Grosso do Sul. O promotor Hugo Volpe confirmou que os policiais davam proteção a integrantes das facções brasileiras que atuam no Paraguai, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho. Segundo ele, o grupo facilitava a logística do trágico para essas organizações. “Foi possível detectar que esses policiais davam cobertura aos pilotos encarregados do tráfego aéreo e frustravam as operações que pudessem apreender a droga, repassando informações privilegiadas aos traficantes”, disse.

Os investigados atuavam nas regiões de Pedro Juan Caballero, Concepción, Puentesiño e San Carlos, recebendo de R$ 800 mil a R$ 1,5 milhão a cada grande carregamento que deixavam passar. O dinheiro era dividido pelo ‘consórcio’. Conforme o promotor, os suspeitos passarão por investigação patrimonial e devem perder os bens adquiridos com o dinheiro da propina.

As investigações tiveram início depois que agentes da Senad fizeram uma sequência de apreensões de cocaína, a partir de janeiro deste ano, recolhendo cerca de três toneladas da droga. Com a prisão de traficantes que operavam as cargas, foi possível descobrir a existência de uma rota de tráfico acobertada pela polícia.

A operação foi montada em sigilo e conduzida por cinco promotores de forma simultânea, em várias frentes, para evitar o risco de vazamento. Entre os presos, está o comissário-chefe, Edelio Celso Loreiro Garcia, e os subcomissários Pedro Molinas e Casaco Ruben Dario Duarte. Os três alegaram, em defesa própria, que não sabiam por que estavam sendo presos.

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