Paraguai propõe imposto escalonado na fronteira

Representantes do governo paraguaio propuseram ao Brasil nesta terça-feira a adoção de um imposto escalonado para os produtos importados daquele país para, assim, reativar o comércio nas cidades fronteiriças de Foz do Iguaçu e Ciudad del Leste.Cerca de 40 pessoas representando os dois governos reuniram-se pela manhã na sede da Receita Federal em Foz do Iguaçu e à tarde na Associação Comercial e Industrial daquela cidade. A reunião, à qual a imprensa não teve acesso, não havia terminado até às 18 horas.O Brasil isenta compras de até US$ 300 e feitas por uma pessoa, num intervalo de 90 dias, a partir do que é cobrado um imposto equivalente a 100%. A proposta paraguaia prevê a isenção até os US$ 300; a partir disso, seria estabelecido um imposto proporcional ao valor da compra até um teto de US$ 1 mil, quando, então, voltaria a vigorar o imposto integral.A direção da Associação Comercial e o prefeito de Foz, Paulo Mac Donald, não se manifestaram sobre a proposta paraguaia, mas defendem o estabelecimento de um novo regime tributário na fronteira. O rigor na fiscalização, adotado desde o início do ano passado pela Receita Federal em conjunto com as polícias Rodoviária e Federal, reduziu o comércio nas duas cidades.Os "sacoleiros", principais clientes de Ciudad del Leste, temem ter suas mercadorias apreendidas e, com isso, diminuíram a freqüência a Foz, escala indispensável para as compras no lado paraguaio. Mac Donald calcula que o comércio de Foz diminuiu 50% devido ao rigor da fiscalização.A Prefeitura de Ciudad del Leste calcula que durante os 10 dias em que a Ponte da Amizade foi bloqueada diversas vezes este mês em protesto contra a fiscalização brasileira, o comércio local deixou de faturar US$ 12 milhões.

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