Paraíba garante reduto serrista em pleno Nordeste

Segundo maior colégio eleitoral do Estado e onde Lula registra índices de popularidade acima de 90%, Campina Grande deu a tucano vitória folgada no 1º turno

Andrea Jubé Vianna, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2010 | 00h00

Na cidade de Campina Grande, segundo maior colégio eleitoral da Paraíba e segundo PIB do Estado, o tucano José Serra vence com folga a petista Dilma Rousseff. O município, distante uma hora e meia da capital João Pessoa, representa uma ilha de poder do PSDB na região Nordeste, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desfruta de índices de popularidade acima de 90%.

O município é governado pelo PMDB do prefeito Veneziano do Rêgo Filho, e seu irmão, deputado Vital do Rêgo Filho, eleito senador. O partido trava disputa de poder na região com o PSDB do ex-governador cassado Cássio Cunha Lima, que foi três vezes prefeito de Campina Grande.

Campina Grande tornou-se uma das principais cidades-pólo do Nordeste, favorecida pela instalação de grandes indústrias como Alpargatas, Coteminas e Apel, de componentes eletrônicos. Os cursos de engenharia e computação da Universidade Federal de Campina Grande estão entre os melhores do País. Mas o município ganhou fama internacional por causa da Festa de São João, considerada a maior do mundo.

No município, Serra ficou em primeiro lugar, com 91 mil votos. Marina Silva (PV) apareceu em segundo, com 61 mil, e Dilma acabou em terceiro, com 57 mil. Mas a presidenciável petista liderou a votação no Estado, onde obteve 1 milhão de votos, seguida pelo tucano, com 551 mil.

Não se vê em Campina Grande a idolatria que a maioria dos eleitores nordestinos nutre pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lá as atenções se fixam no jovem ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB), cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no ano passado, por abuso de poder econômico e político.

Cássio representa a força do PSDB na região. Menos de um ano após a cassação, ele retornou: elegeu-se senador com 1 milhão de votos - a Paraíba tem 2,7 milhões de eleitores.

Inelegível. No entanto, foi considerado inelegível pelo TSE por causa da Lei da Ficha Limpa. Agora, seus advogados preparam recurso contra a decisão ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Aos 37 anos, filho do ex-governador Ronaldo Cunha Lima, foi deputado federal e duas vezes governador, além dos três mandatos como prefeito da cidade.

A fala firme e indignada, os cabelos lisos sobre a testa, a mania de gesticular com o punho cerrado, lembram o Fernando Collor de Mello pré-impeachment.

"Quero tranquilizá-los sobre o julgamento de hoje, ele não me atinge, continuo senador. Eles não vão me punir duas vezes", discursou com voz inflamada num comício em João Pessoa, na última quarta-feira, quando o STF confirmou a validade da Lei da Ficha Limpa. Eleitoras tentam chegar mais perto. Uma delas conseguiu: driblou o segurança, subiu ao palanque e o agarrou, em cena testemunhada pela reportagem.

O presidente do PSDB na Paraíba, senador Cícero Lucena, acusa o presidente Lula de transformar a Paraíba "em quintal de Pernambuco", boicotando projetos que alavancariam o desenvolvimento do Estado, como a usina de biodiesel e o porto de águas profundas. Não fosse isso, Lucena diz que Cássio seria uma liderança nacional.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.