''Paraíso'' vira pesadelo de moradora de Bertioga

A ajudante de cozinha V. costumava deixar as janelas abertas à noite para combater o calor que buscou em Bertioga há 22 anos, quando trocou Mococa, no interior, pela promessa de desenvolvimento e tranqüilidade do litoral. Faz dez dias que V. foi ao velório de um sobrinho, assassinado num assalto.Uma onda de criminalidade atinge Bertioga, cidade com 39 mil habitantes, segundo o IBGE. Entre janeiro e setembro deste ano, houve seis homicídios - o dobro de 2007. Nesse período, caiu o número de furtos (965 para 729) e de roubos (213 para 161). Mas isso não representa a realidade, segundo moradores e turistas. Muitos não registram ocorrência porque nem sempre há delegado de plantão. Já o índice de roubo de carros aumentou. Para usar o seguro, é necessário BO - foram 62 em 2007 e 74 neste ano.Depois de 25 anos freqüentando Boracéia, um engenheiro de 45 anos desistiu. A casa, que costumava chamar de paraíso, está à venda. "Antigamente, o cara roubava sua casa sem ninguém dentro. Agora, te pegam no portão, fazem sua família refém", disse ele, que gasta R$ 900 mensais para manter a residência. "Por que ter uma casa num lugar onde não tenho sossego?"

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