Paralisação no Rio é fraca e bombeiros já negociam

No blog SOS Bombeiros, coordenado por grevistas, um texto criticava as "retaliações por parte do comando" publicadas no boletim

Clarissa Thomé e Sabrina Valle, de O Estado de S. Paulo,

11 Fevereiro 2012 | 15h08

A segunda madrugada da greve decretada por bombeiros e policiais civis e militares não registrou ocorrências graves nem afetou o patrulhamento em regiões da cidade, como a zona sul e o Centro do Rio de Janeiro. Os pontos fixos da Operação Lei Seca funcionaram normalmente, com apoio da PM. Em Copacabana, Ipanema e Leblon PMs foram vistos em suas cabines durante a madrugada, viaturas circulavam pela cidade ou ficaram paradas em pontos estratégicos.

Dezesseis policiais e um bombeiro, apontados como líderes do movimento, continuam presos em Bangu1. Dez deles foram detidos por força de mandado judicial e sete em flagrante.

De acordo com o chefe do Estado Maior Administrativo da Polícia Militar, Robson Rodrigues, os 129 policiais presos administrativamente foram liberados para responder ao processo em liberdade. "Eles estão indiciados, vão responder ao processo sumário e alguns, muito provavelmente, serão excluídos da corporação. Não podemos deixar a população refém desse tipo de policial que fomenta o medo", afirmou.

Os 123 bombeiros que tiveram a prisão administrativa decretada nesse sábado se reuniram no 3.º Grupamento Marítimo (Copacabana, zona sul) para negociar a suspensão da punição. Alguns guarda-vidas não se apresentaram para trabalhar hoje na orla, mas foram substituídos pelo comando da corporação. A categoria marcou uma manifestação para amanhã para pedir a libertação dos 17 presos em Bangu 1.

No blog SOS Bombeiros, coordenado por grevistas, um texto criticava as "retaliações por parte do comando" publicadas no boletim. "Bombeiros militares das unidades dos Grupamentos Marítimos que foram a conselho receberam punição de prisão, por se manifestarem contrários às atitudes ditatoriais e covardes cometidas contra o cabo (Benevenuto) Daciolo (primeiro a ser preso)e contra a nossa dignidade".

A nota alerta ainda para que a população não se arrisque no mar. "Os indivíduos de camiseta nos postos (de salvamento) não estão preparados para o socorro".

Depois do sucesso do desfile do Bola Preta - um dos blocos mais tradicionais do Rio, que reuniu na noite de sexta-feira no Centro do Rio entre 80 mil e 100 mil foliões, segundo cálculos da Riotur e da Polícia Militar, respectivamente -, a programação dos blocos para o fim de semana foi mantida. A previsão era de que 105 blocos se apresentassem pelas ruas da cidade entre hoje e amanhã.

Crítica - A antropóloga Alba Zaluar criticou o que chamou de "grupo de deslumbrados" dentro das corporações que promove a destruição de instituições, a desordem pública, e chega a envolver crianças no movimento, o que ela classifica como uma irresponsabilidade. Por outro lado, Alba disse que este seria um bom momento para rediscutir a vinculação dos bombeiros às Forças Armadas, em vez de a órgãos ligados a Saúde e Justiça.

A especialista em segurança também considera equivocada a lógica da preparação profissional a que policiais são hoje submetidos. "É um absurdo que policiais que deveriam proteger o cidadão sejam preparados para a guerra. Não é à toa que no Brasil a polícia mata tanto", disse.

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