Paralisação prejudica coleta na zona norte

Por causa de salários atrasados, funcionários de empresa cessam serviço

Diego Zanchetta, O Estadao de S.Paulo

14 de janeiro de 2009 | 00h00

A região da Casa Verde, do Limão e de Santana foram as mais prejudicadas ontem pela paralisação dos serviços municipais de varrição na zona norte de São Paulo. Com salários atrasados, segundo o sindicato da categoria, cerca de 600 trabalhadores da empresa Paulitec Construções cruzaram os braços. Foi a primeira paralisação após dois anos sem greve no setor da varrição. Os funcionários devem voltar ao trabalho hoje. Segundo Moacyr Pereira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Serviço de Asseio (Simaeco), o motivo da paralisação foi o atraso no pagamento dos salários que deveriam ter sido depositados na sexta-feira. A entidade também disse que os trabalhadores não estão recebendo vale-alimentação da empresa. "Fizemos uma reunião e tivemos a garantia de que o dinheiro vai cair na conta hoje (ontem). Se cair, tudo indica que os trabalhadores vão voltar ao serviço", afirmou o sindicalista.Com o período de chuvas, a falta de varrição pode entupir bueiros, aumentando os riscos de enchentes. Ontem, moradores de vias como a Marambaia, em Santana, e a Zaki Narchi, no Carandiru, reclamavam do lixo espalhado. "A varrição está ruim já faz tempo, eles passam um dia da semana só. Com as chuvas e o vento, os varredores deveriam passar mais vezes", disse Adolfo de Oliveira, de 42 anos, dono de um bar em frente ao Parque da Juventude. Procurada, a Paulitec não retornou às ligações da reportagem. A empresa terceiriza parte dos serviços de varrição, como a poda de árvores e a limpeza de bueiros, para a empresa Trans Naka. A Assessoria de Imprensa da Secretaria da Coordenação das Subprefeituras informou que 83 servidores fazem a fiscalização dos trabalhos da varrição, executados por mais de 3 mil varredores.A Prefeitura também informou que os pagamentos às empresas de varrição não estão atrasados. Em dezembro, a Prefeitura reajustou o valor dos seis contratos de varrição e prorrogou a vigência por mais um ano. Os reajustes variaram para cada empresa, de 1,94% a 3,47%. Os seis aditamentos somaram R$ 11,4 milhões aos contratos originais, cujo valor total é superior a R$ 100 milhões, exceto o da região oeste da capital, que é de R$ 35 milhões. As empresas Qualix, Construfert, Delta, Unileste e Paulitec são as empresas responsáveis pela varrição manual das ruas, varrição mecanizada e coleta e transporte dos detritos da varrição, entre outros serviços. As empresas cumprem a segunda prorrogação dos contratos, assinados em 2006 e que podem ser aditados por mais três anos. A cada mês, são varridos 213 mil quilômetros de ruas. O serviço é um dos que lideram as queixas na Ouvidoria do Município.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.