Paraná constrói presídio com método usado nos EUA

Uma cela construída com bloco que pesa 25 toneladas de concreto, unidade monitorada por central de vídeo com 32 câmeras, toda a parte externa com sensores eletrônicos, muros internos com 6 metros de altura e com alambrado de arame de aço com lâminas de 6 metros de altura, fazem parte de um novo presídio construído, a pedido do governo do Paraná, que vai abrigar, a partir de junho, 496 presos. É a Unidade Prisional Foz do Iguaçú, entregue na semana passada ao governo do Paraná, após 6 meses de construção. O novo presídio tem três pavilhões e, cada um, com 124 celas que abrigarão quatro detentos em cada uma. As celas, todas com vasos sanitários de aço, têm portas de ferro que se abrem e se fecham eletronicamente.O governo do Paraná informou que há uma carência de 3,5 mil vagas no seu sistema carcerário e com dois mil mandados de prisão a serem cumpridos. Após uma concorrência, da qual participaram diversas empresas, ele firmou contrato com a DM Consultora de Obras para a construção da unidade prisional, numa área construída de 5,8 mil metros quadrados, em terreno de 33 mil metros quadrados, próximo ao centro da cidade.O coordenador do projeto, Gustavo Person, ao apresentar o novo presídio, na manhã de hoje, informou que foi aplicado um método desenvolvido nos Estados Unidos. "Somente no governo Bill Clinton, mil presídios iguais a esse foram construídos, e é praticamente impossível fugir se não houver ajuda do funcionário." Person disse, ainda, que a obra seguiu as normas exigidas pelo governo do Paraná, com instalação de oficinas, parlatório, onde os presos se encontram com seus advogados; e há também um setor reservado às visitas íntimas. "Pela política nacional de integração da família, desenvolvida pelo sistema carcerário do País, é preciso levar cada vez mais a família junto ao preso para que ele, quando saia, não volte a delinqüir. E isso deverá ser aplicado pela direção da Unidade Prisional Foz do Iguaçú."Além de todas as providências adotadas eletronicamente, o presídio também terá cabos de aço instalados para evitar um possível resgate de helicóptero, a exemplo do que aconteceu em São Paulo, na Penitenciária José Parada Neto, em Guarulhos. Um detector de metais foi instalado na entrada do presídio, fora da ala destinada aos presos, para visita. "Além da revista das visitas, um método novo será aplicado nesta prisão. Todos os detentos, quando voltarem para suas celas, serão submetidos à revista, para evitar a entrada de drogas, armas e celulares. As visitas ficam fora da ala onde se encontram as celas, e os presos - além da revista pessoal - vão passar por detectores de metais, antes de regressarem para o xadrez", disse Person.TerceirizaçãoO governo do Paraná, que recebeu na semana passada, oficialmente, o presídio, gastou R$ 11 milhões para sua construção, mas pretende terceirizá-lo. Hoje, no gabinete do governador, por telefone, um assessor informou que a terceirização da Unidade Prisional de Foz do Iguaçú é um assunto que está sendo estudado diretamente pelo governador, que deverá anunciar somente no fim deste mês. Algumas empresas já se habilitaram, mas também estuda-se possibilidades, segundo esse mesmo assessor que não quis se identificar, de o próprio governo administrar este moderno presídio.No Paraná, já existe um presídio privatizado, que fica na cidade de Guarapuava, com 200 presos e 110 funcionários. O coordenador do projeto da unidade de Foz do Iguaçu disse que, na da maneira como a nova cadeia foi construída, o número de funcionários chegará a 80, com 496 presos. Isto porque tudo é eletrônico e o funcionário terá o mínimo contato com o detento.Os primeiros presos que deverão ser transferidos para esta nova unidade estão recolhidos, atualmente, num presídio próximo. Ainda não se sabe o grau de periculosidade dos detentos que vão ocupar a Unidade Prisional de Foz do Iguaçú.

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