Paraná determina investigação sobre rebelião na PCE

Agentes penitenciários podem ter facilitado motim; seis presos morreram em conflito

Solange Spigliatti, do estadao.com.br,

19 Janeiro 2010 | 09h07

O governador do Paraná, Roberto Requião, determinou nesta segunda-feira, 18, a instauração de inquérito para investigar se agentes penitenciários têm responsabilidade pela rebelião que causou a morte de seis detentos da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, na última quinta-feira, 14.

 

Já na sexta-feira, 15, o secretário da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, determinou ao Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) rigorosa investigação para apurar se agentes penitenciários teriam permitido que presos de facções criminosas inimigas se enfrentassem.

 

"A informação que alguns agentes e presos deram à imprensa, no transcorrer da rebelião, é que agentes ou o pessoal interno da penitenciária, a partir do chefe da segurança, liberaram numa única ala grupos antagônicos de presos. Isso provocou o conflito e as mortes", afirmou Requião.

 

O intuito seria pressionar o Governo do Estado para que atendesse as reivindicações do Sindicato dos Agentes Penitenciários. "Além de insistir pelo porte de arma, dentro e fora do presídio, eles também reivindicam mudança de escala de trabalho, em que trabalhariam oito dias por mês e folgariam 22, o que é inaceitável", explicou Requião.

 

"O primeiro objetivo é descobrir o que aconteceu. Temos muitos indicativos e muitas provas que demonstram que foi um comportamento absolutamente fora do normal na administração interna da PCE. Presos de facções rivais, presos inimigos, presos que não tinham contato dentro da penitenciária, naquele dia, tiveram oportunidade desse contato. As celas e as galerias foram todas abertas, misturadas propositadamente, e nós vamos descobrir quem fez isso e porquê, para que seja responsabilizado, no mínimo, por ter provocado a rebelião", afirmou Delazari.

 

O motim começou na noite de quinta-feira, depois que os presos entraram em confronto e fizeram três agentes penitenciários reféns. Dos cerca de 1.500 detentos da PCE, aproximadamente 1.200 se envolveram, de alguma forma, no conflito. Os presos se renderam e libertaram os reféns ilesos por volta das 16h de sexta-feira, 15.

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